A rapariga à minha frente na fila do supermercado leva no tapete produtos de marca branca. Aquele refrigerante que é só açúcar, bolachas para porcos, farelo de arrazoar. Tem um galaxy 5, e capa a condizer. Comprou o casaco, possivelmente conjunto com as botas, a setenta e dois meses. Olha para mim de alto a baixo, com as unhas de gel e os cartões oferecidos em uníssono desdenhoso; eu não tenho o cabelo alisado, uma camisa e uns jeans da prateleira actual, o ar inserido dos aldeões a quem espera um dia ligar-se numa borla eterna e onírica.
Esta gente é culpada, e o Estado o seu espelho.
Será pois moralmente censurável sonhar com uma chuva de asteróides?
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