Assola-me, de algum tempo a esta parte, um profundo desinteresse pela actualidade política. Agora que raramente escrevo no blog ou no Facebook, observo a realidade com maior distância, leio e oiço as notícias e pouca ou nenhuma vontade tenho de reagir. As televisões, os jornais e os blogs são repetitivos e cansativos, mostrando e comentando sempre os mesmos actores e as suas desinteressantes performances. A cada semana que passa há uma nova estatística, um novo escândalo, uma nova afirmação que espoleta uma torrente de reacções, comentários e indignações, para no fim tudo se desvanecer tão rapidamente quanto emergiu, aguardando-se até aparecer outro facto mediático qualquer. Há mais, muito mais vida para além disto. Por isso, não há como não concordar com o que o Fernando escreveu há dias: “Não há como escrever. Não há como exprimir. O reduto final de um homem livre, querendo e podendo fazer algo em prol daqueles que gerou e a quem deixa um mundo pior que o esperado, é fechar-se, remeter-se ao ermitério, desaparecer, calar, calar a voz mas também a baioneta.”
Um breve desabafo
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Bem, desaparecer no meio da inteletualerdice portuguesa é até uma benção, direi eu. Não deve é desaparecer numa outra sede – a que leva em diante a crítica inteligente com vista à mudança.