Mês: Fevereiro 2015 (Page 1 of 6)

Um breve desabafo

Assola-me, de algum tempo a esta parte, um profundo desinteresse pela actualidade política. Agora que raramente escrevo no blog ou no Facebook, observo a realidade com maior distância, leio e oiço as notícias e pouca ou nenhuma vontade tenho de reagir. As televisões, os jornais e os blogs são repetitivos e cansativos, mostrando e comentando sempre os mesmos actores e as suas desinteressantes performances. A cada semana que passa há uma nova estatística, um novo escândalo, uma nova afirmação que espoleta uma torrente de reacções, comentários e indignações, para no fim tudo se desvanecer tão rapidamente quanto emergiu, aguardando-se até aparecer outro facto mediático qualquer. Há mais, muito mais vida para além disto. Por isso, não há como não concordar com o que o Fernando escreveu há dias: “Não há como escrever. Não há como exprimir. O reduto final de um homem livre, querendo e podendo fazer algo em prol daqueles que gerou e a quem deixa um mundo pior que o esperado, é fechar-se, remeter-se ao ermitério, desaparecer, calar, calar a voz mas também a baioneta.”

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Show me the money, Varoufakis!

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Provavelmente da próxima vez que escrever uma pequena nota neste blog estaremos todos felizes e contentes no mês de Março. O Banco Central Europeu (BCE) havia anunciado, e vai cumprir: irá dar início ao seu programa de quantitative easing no mês que está prestes a chegar. Os mercados financeiros e accionistas irão bombar como um drogado que acaba de receber uma injecção no veio central da sua existência. A compra de títulos de tesouro por parte do BCE é um doce para os especuladores, mas não gera efeitos imediatos na economia real. Vimos como foi nos EUA, mas a Europa será um caso à parte. Na América puseram o dedo na ferida, por exemplo com a intervenção no âmbito dos Mortgage-Backed Securities (MBS). Contudo, na Zona Euro poderemos esperar por um efeito que não carece de uma explicação complexa. A injecção de liquidez, por via directa ou indirecta nas economias, e pela compra de títulos de tesouro dos países da Zona Euro, afecta o valor das divisas subjacentes. Neste caso, poderemos contar com uma ainda maior desvalorização do Euro. Por um lado, essa condição cambial ajuda as exportações da Zona Euro, e, por outro lado, uma vez que a deflação parece reinar na Europa, existe margem para aumentar os níveis de oferta de liquidez. A inflação até é desejável, e por mais do que um motivo, mas sublinhemos o facto das dívidas dos Estados serem mais facilmente mitigadas se a divisa em que as mesmas se expressam menos valerem. Aquilo que vai ser iniciado em Março pelo BCE não irá clarificar a complexidade da situação económica em que se encontra a Europa. Sempre que a economia real não funciona, os bancos centrais escrevem ficção  – imprimem dinheiro e passam a ser uns mãos largas como se isso resolvesse os problemas estruturais das economias. As bolsas europeias decerto que irão bombar, e os hedge funds e especuladores farão as suas apostas certeiras, mas o cidadão comum será excluído dessa festa. A Grécia deixar-se-á envolver nesse turbilhão de ilusões e aproveitará o mesmo para extrair dividendos. Varoufakis e os demais pseudo anti-capitalistas dirão que é um claro sinal de recuperação. Mas os mais avisados sabem que isso não é verdade. Aqui deixo o meu aviso. E eu nem sequer sou um especialista na matéria.

Singeries

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 A respeito de um desabafo de quem falava para uma assistência representante de alguns milénios de civilização, alguém classificou a ora como chinesices. Eis o resmungo de sonoridade estridentemente xenófoba do Sr. Barroso,  Alfredo.

 

Se Costa acabou por involuntariamente se ver livre de mais um membro da familiar oligarquia presumivelmente habituada à feijoada servida em louça de Cantão ou ao entesourar de colecções família rosa, temos por boa e única forma de classificar as palavras do ex-camarada, como apenas mais uma singerie. Mais uma, talvez não a derradeira, na diluviana série desta enxurrada de duas ou três gerações, se contarmos ou não, com o primordial e despadrado patriarca primo-republicano.

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O que nos trouxe a partidocracia.

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Um contributo que nos ajuda a entender como chegámos àquilo que hoje somos: ” um zero à esquerda “. Muitos de nós lembramo-nos de como estávamos a crescer. Era a bonança que chegava depois da tempestade que herdáramos da Primeira República. Estes que juraram desgovernar Portugal fizeram com que o tempo bonançoso se tornasse em miserável miragem.

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Drones em Paris

 

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Paris está em pânico. Não surgiram bombardeiros Tupolev, discos voadores ou efeitos da Experiência de Filadélfia. Paris teme misteriosos drones que têm sobrevoado a cidade. Os drones, coisas medonhas que saíram da imaginação de um cientista lunático ao estilo do Back to the Future, levaram-me a mais uma curta viagem no tempo.

Estas pequenas engenhocas são coisa tão inédita como os Sputnik, aliás, precederam-nos. Recordo muito bem uma loja sita nas imediações do John Orr’s, em Lourenço Marques, a Modelândia. Enquanto muitos lá buscavam kits de automóveis, tanques, navios e aviões, Dinky Toys, carrinhos da Matchbox ou soldadinhos de várias épocas históricas, os mais velhos ou mais abastados, eram clientes da secção de aeromodelismo. Ali vendia-se de tudo, desde a balsa para a construção dos modelos pelos mais habilidosos artífices, até aos motores, todo o tipo de peças avulsas, tintas e colas especiais. No entanto, também existia um bom sortido de modelos completos, aos quais apenas faltava o combustível para o início das operações. Spitfires, Hurricanes, Stukas, ME 262, Corsairs, B-29 e tantos, tantos outros modelos bem conhecidos, estavam à disposição dos compradores que depois os exibiam em locais ermos, entre os quais o próprio Autódromo de LM servia de cenário para acrobacias e uns tantos estampanços a pedirem mais lições e afinar da perícia.

Sim, nos anos sessenta e setenta já tínhamos drones controlados à distância. As formas eram outras e decerto alguns terão um dia pensado em transformá-los em pequenos mísseis guiados até um hipotético alvo. A tansformação não seria difícil.

E se neste momento estivessem uns tantos miúdos parisienses mortos de riso pela assustadora façanha? À falta de um vírus H5N2015 e até cabal prova em contrário, os drones não merecem tanta histeria mediática. São coisas velhas, conhecidas e usadas, pois apesar de videos acoplados e potencial abastecimento com bombas, não representam nada de novo. 

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Catarina Martins e o bloqueio linguístico

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O Bloco de Esquerda (BE) interpretou magistralmente o enunciado de Fernando Pessoa: “a minha pátria é a língua portuguesa”. Deve ter sido por essa razão que descurou o primado da língua alemã no cartaz que grosseiramente mandou imprimir. Mas há considerações que transcendem os erros tão gratuitamente expostos. Não é suposto os partidos políticos dependerem de comunicações acertadas (escrevi acertadas e não assertivas!)? Não são as mensagens o seu principal veículo de doutrinação? O que aconteceu no BE também sucede no quotidiano profissional português – a falta de rigor. A Catarina Martins e a sua equipa de copywriters procurou desenrascar a coisa à Lagardère. Provavelmente existem no bloco uns quantos germanófilos não assumidos que emprestaram a sua mãozinha barata – sim, as traduções pagam-se. As revisões de texto também. Uma outra possibilidade que se lhes apresenta é terem tido a intenção de denegrir o acervo linguístico da Alemanha, corrompendo as regras de gramática. Mas essa hipótese é excessivamente rebuscada. Enganaram-se sem o saber, porque não quiseram saber. E podem tirar o chevalinho da chuva, esse grau de incompetência nada tem a ver com preferências ideológicas. Desta vez foi o BE. Poderia ter sido outro grémio literário-partidário. Ando eu a esforçar-me para aprender o idioma alemão (sim, estou no nível B1) e vem esta malta baralhar-me ainda mais a cabeça que já não anda boa com o apanágio das declinações). No entanto, dou o dicionário a torcer à Katrin Martins. Os erros impressos em tamanho de outdoor relacionam-se com a complexidade do tema gramatical que tem ocupado os alemães desde que Goethe saiu de Weimar. Eu sei que errar é humano. Mas quem não sabe deve perguntar. Quantas vezes me confronto com dúvidas respeitantes ao correcto uso da língua de Camões? E o que faço? Em alguns casos, se o virus persiste na minha narrativa mental, pego no telefone e falo com uma profissional que tão bem conhece a língua portuguesa. Admito que não o fiz no decorrer e discorrer deste texto. Agradeço que me indiquem onde estão as calinadas e num passe de mágica editorial procederei à correcção do texto que aqui vos apresento.

Follow the money

Há uma e uma só razão pela qual os povos do sul adoram ver-se num quadro de sodomia financeira passiva, e ela pode ser descrita numa imagem.

 

Podiam ser as vinte marcas de shampoo na prateleira do Continente, as noites no Lux e o gin com toranja do Malabar a trinta euro, ou podia ser o iPad novo da Babá e o primeiro Audi do Binau.

 

A merda é a mesma: nunca o rectum colectivo popular esteve tão em conta. Neste caso escolhi ilustrar o postal mostrando que apesar do preço, os bilhetes para ver Kraftwerk em Lisboa já estão praticamente esgotados. N’as redes, o debate fica-se pelo “vais?” e “onde jantamos?”, em conveniente e inexorável alienação. 

 

Quando vier o monhé vai ser pior. 

 

 

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