Completaram-se dois meses de prisão no dia em que o fui visitar de novo ao Estabelecimento Prisional de Évora. Consegui entrar quando só lá estavam, à minha chegada, dois jornalistas de serviço. Mas à saída encontrei bastantes mais. Com certeza pagam-lhes para isso…

 

Um cão morder um homem há muito que não é notícia. E mesmo um homem morder um cão já perdeu o efeito surpresa. Tal como nem é notícia que certos jornalistas são pagos para servirem de moços de sacristia à seita moribunda que o Doutor representa, nem que outros o sejam para acolitarem cultos diversos igualmente necróticos. 

 

Sócrates está na mesma, com a energia e dignidade de sempre, e o juiz que o tem maltratado, Carlos Alexandre, não tem conseguido encontrar nada que o possa comprometer. Nada é mesmo nada! Pelo menos nunca o disse. Contudo, o ex-primeiro-ministro José Sócrates continua preso. Porquê? E até quando?…

 

Porque a Constituição, o Código Penal e o mais elementar senso comum assim o permitem, senão mesmo recomendam. Porquê e até quando é comparar por absurdo com a quantidade de detentores e ex-detentores de cargos políticos que por aí anda, à solta, sabendo todos nós bem porquê e desde quando. 

 

Dizem os advogados que o conhecem que o juiz citado é muito vaidoso. Mas sairá muito mal no conceito de todos os cidadãos que conhecem e admiram José Sócrates e que cada vez são mais neste pobre Portugal.

 

A vaidade é um pecado mortal que mina as capacidades profissionais de um juiz. A escassez lexical de Cristiano Ronaldo mina-lhe a capacidade de jogar. Não se esqueça de lavar bem a bola de cristal depois do acto.

 

Sócrates está mais firme. E eu, que sou seu amigo e na ditadura fui várias vezes preso, cada dia o admiro mais, tal como ao seu ilustre advogado, João Araújo, que com tanta inteligência, coragem e lucidez o tem defendido.

 

Alusão paleo-fálica repetida ao longo de vários parágrafos, culminando em mais uma evocação das virtudes apensas ao terrorismo, cujos praticantes insignes o advogado ilustre em tempos defendeu.