Continuação da análise cínico-clínica às mais recentes efervescências biliares de Mário Soares.
Foi em outubro de 2013 que li o livro de Stephen Emmott, professor ilustre da Universidade de Cambridge, Dez Mil Milhões – Enfrentando o Nosso Futuro. Apercebi-me então do que seria a dramática situação do planeta se a ganância da globalização dos mercados continuasse, sem regras, em busca do petróleo, furando a terra e provocando trágicas consequências nos oceanos, a que infelizmente temos vindo a assistir nos últimos anos.
O que dirá o ilustre Emmott sobre as viagens, com direito a coima paga pelo Estado, realizadas por Soares a trezentos quilómetros por hora, em veículos movidos a petróleo extraído dos furos da ganância mercantil?
Daí, seguramente, a razão por que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, um político de uma inteligência e visão extraordinárias, fez baixar o preço do petróleo por toda a parte, tentando ao mesmo tempo limitar a fúria dos oceanos e a consequente formação de gelo que este ano, excecional, atingiu as duas costas dos Estados Unidos e outros continentes.
Obama, cuja obra seminal inclui o advento de toda uma nova indústria visando a obtenção de energia alternativa ao petróleo (o óleo de xisto), é que fez baixar o preço do petróleo. Analisemos minuciosamente esta afirmação.
A indústria do óleo de xisto baseia-se na criação de… furos colossais.
Está em vias de falir, porque a maioria dos países da OPEC se recusam a reduzir a produção, tornando assim a peregrina ideia de Obama pouco ou nada competitiva.
Ademais, quando as bolhas estoiram e com a procura em queda a descoberta dos preços corrige, é difícil que estes subam.
Mas não, foi Obama que erguendo dois tacos de golfe bem alto, exclamou palavras arcanas e subjugou os elementos, o petróleo, e a mente do Doutor Soares à plenipotência da sua vontade.
No ano passado, o mar, em Portugal, destruiu grande parte das nossas praias. Mas se este ano isso se repetisse – e não gostaria que isso acontecesse – ficaríamos sem praias e sem turismo.
Daí que seja necessário que os cientistas que ainda nos restam e que se interessam por esta área se imponham e responsabilizem o governo pela prevenção dos impactos negativos das alterações climáticas, que tendem a agravar-se.
Esta passagem é pouco clara e questiono-me se conterá outra cripto-referência gnóstica, como a anterior. Soares está a dizer que em vez de areia devemos deitar cientistas sobre os areais da Trafaria, ou pretende exortá-los à elaboração de uma teoria irrefutável que estabeleça um nexo causal entre este governo, os fenómenos climáticos, os buracos negros e outros perigos à espreita no Cosmos?
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