Estas imagens foram assumidamente censuradas pelo telejornal da SIC. Pelo contrário, a RTP muito bem assumiu a crueza do momento, para que não restem quaisquer dúvidas.
Não se trata de tecermos considerações a propósito do arrogante mau gosto afoita e insistentemente publicado pelo Charlie Hebdo, pois esse será um infalível argumento a utilizar pelos zelosos appeasers de serviço. É esta, a nada invejável função da gauche contemporizadora para com quem a conduz ao paredão. Isto é tão válido para a redacção do C.H., como para a do bem aceite e estimável Le Figaro, do Le Matin ou do Público, Diário de Notícias ou The Times.
Não foram os radicais, mas sim os invisíveis muçulmanos moderados, quem provavelmente acaba de estender o tapete vermelho que conduzirá Mme. Le Pen ao Eliseu. Ainda há poucos meses, a convocação de uma manifestação desses moderados diante da velha grande mesquita de Paris, traduziu-se em pouco mais de 150 indivíduos cuja média etária roçava os 65 anos. Sim, eram aqueles que no início da década de sessenta demandaram a França à procura de um futuro melhor. Isto quer dizer tudo, precisamente quando atendemos aos apelos histericamente lançados pelo “arco da governação” para uma separação de responsabilidades. Se uns agem em plena consciência do estado de guerra por eles declarada, outros encolhem-se com temor de represálias da vizinhança ou pior ainda, gostosamente saboreiam uma espécie de revanche por um passado histórico ainda recente e que ditou a todo o mundo o ocaso de uma fugaz civilização de pouco mais de uma meia dúzia de séculos. Aqui está o resultado da imposição da chamada laicidade como religião de Estado em França. O vazio criado é o alvo a ser preenchido por outros, apesar da patética evocação da “superioridade moral” hoje cantada em S. Bento por Telmo Correia.
Minutos após a chacina, logo se aprestaram os habituais apaziguadores ao separar de águas turvas. Inútil, tarde demais.
Se a vitória de Marinne Le Pen ainda não é uma certeza ou até uma probabilidade, já consiste numa séria possibilidade, sobretudo tendo em conta o progressivo resvalar do eleitorado socialista – o mesmo se passou há perto de trinta anos com o comunista – para a votação na FN. No início do passado verão, foi o que se verificou nalguns municípios do norte do país. Se tal se verificar na presidência e numa leva de deputados no Palais Bourbon, a quem vão os appeasers apelar? A um golpe a desferir pelas forças armadas francesas? À NATO ou à ONU? Ou será que alguns acalentam a ideia de poder este país adoptar os esquemas dinâmicos muito habituais na sua antiga colónia da Argélia?
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