Mês: Janeiro 2015 (Page 1 of 8)

A grande ilusão europeia

opticalillusions

 

Quando vejo a histeria a tomar conta dos povos, recordo-me dos filmes históricos dos anos 30 do século passado. Quando vejo povos derreados pela verga da indignidade económica e social, penso no sofrimento incomensurável de famílias inteiras. Quando vejo expressões de pura demagogia a tomar conta dos discursos de políticos, sinto que as nossas sociedades correm grandes perigos. Quando observo a bandeira da libertação ser hasteada, penso como será a nova ordem proposta pelos mercenários. Quando comprovo como nações inteiras podem ser postas ao serviço de interesses ideológicos, deixo de acreditar na pureza da Democracia. Quando testemunho a facilidade com que se arrebanha gente, penso em colunas militares. Quando sinto a prevalência do dinheiro na retórica inflamada, sei que a alma humana foi vendida. Quando registo a facilidade com que se desonra a palavra, conheço o valor de um aperto de mão. Quando nem preciso de olhar para ver, sei que já embarcaram num caminho de difícil retorno. 

A Entente Greco-Russa e a Europa

Russia-Greece

 

Nos dias que correm é muito fácil ser atirado para um dos campos da discussão – either you´re with us or you´re against us -, é conveniente simplificar o intrinsecamente complexo, usando para o efeito, códigos caducos, linguagem ideológica fora do seu prazo de validade. Assistimos na Europa, ou se quiserem na União Europeia (UE), a grandes dificuldades interpretativas. A Entente Cordiale que está a ganhar forma entre a Grécia e a Rússia é motivo de alarme. Pela primeira vez na história da UE um estado-membro rejeita servir-se das instituições formais que foram criadas, para, em última instância, preservar a paz. Yanis Varoufakis diz por outras palavras que já não reconhece autoridade à Troika, que aquele mecanismo não tem legitimidade para decidir sobre o destino de um Estado soberano que “por acaso ainda” é membro da UE. Não é apenas Putin que não quer perder a face. Tsipras também não irá esbanjar o que alcançou oportunamente numa Europa polarizada pela extrema direita e extrema esquerda, por anti-americanismo, assim como pelas entidades pragmáticas como a austeridade, o terrorismo, enquanto extensão ou não do Estado Islâmico.  A Europa, refém dos seus processos formais e em plena crise económica, está a tornar-se presa fácil para outra “pária”. A Grécia está geopoliticamente encravada numa zona de cultura ortodoxa à mão de semear dos interesses estratégicos russos. Chipre ou a Bulgária  podem ser também magnetizados pela dissensão intencional russa. Enquanto milhares celebram efusivamente a libertação dos gregos das directivas alemãs, um outro eixo de substituição está a ganhar forma, uma outra estrutura de poder conhece já a sua cúpula. Neste contexto, e por analogia ao descalabro e à guerra a que já assistimos, a Grécia pode ser entendida como uma pré-Ucrânia. Um espaço vital onde talvez não se vislumbrem tanques de guerra e colunas de infantaria russos, mas onde outra dimensão de projecção de poder, está, efectivamente a acontecer. Os libertários europeus serão confrontados com vários dilemas existenciais, mas para já, desenham de um modo claro, um certo fundamentalismo cego, de libertação do ónus da dívida a qualquer preço. O problema é que o valor não é determinado por vontades internas, por comissões políticas nascidas nos salões de uma Europa civilizada. Quem demonstra intenções claras e inequívocas é a Rússia. Seria bom se a Europa das liberdades e garantias calibrasse sem demoras a sua posição no contexto de ameaças que já não são externas. O triângulo das Bermudas da Europa desenha-se com duas pontas agudas que não tarda irão furar as expectativas utópicas de uma comunidade europeia de crentes que ainda acredita num regresso faustoso ao estado social e às subvenções vitalícias. O nosso futuro pode muito bem estar nas mãos de Putin e Tsipras. Os primeiros passos são sempre os mais difíceis.

” Portugal dos pequeninos “

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Este regime político, através dos pigmeus, sem excepção, que o protagonizaram e protagonizam, foi, tem sido, pródigo em malfeitorias; difícil dizer qual a mais negra, mas hoje, talvez porque muito se discute o seu futuro, uma me martela a cabeça, que, a par de outras, não a consegue esquecer – a TAP: cresci a ouvir dizer do orgulho que ela era para o nosso país. Além de uma companhia tecnicamente superior, era uma empresa forte, muito lucrativa. Hoje, mais uma nódoa daquelas que, e como dizia Eça, nem com benzina se limpam. Mais uma página que a História irá registar, porque não a deixaremos cair no esquecimento.

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E a História da língua? Faz-se tábua rasa, e pronto?

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É que não tem pés nem cabeça

Reproduzidas por pasquim acordista, as acusações do Professor são óbvias. Carradas de razão, a meu ver muitas mais carradas das que, escrevia Silva Bastos em 1933, tinha o Dr. Ricardo Jorge ” e com ele os seus pares na depuração da Língua pátria “, quando escrevia o médico que se se continuasse a ” mascavação do nosso idioma cairíamos no ‘ Bundismo ‘ – tudo o que se quisesse, menos português de boa cepa. ” Bastava percorrer páginas de livros, colunas de periódicos… “. Hoje esse percurso, mais do que nunca, causa arrepios.

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Ensaios (884.2)

é janeiro. estamos em pleno defeso da epoca balnear e os portugueses, as portuguesas e os animais de estimacao portuguesos ja afluem aos saldos em busca dos chinelos que irao calçar na proxima abertura estival.

um missil russo sobrevoa baguim do monte, direito a lisboa. nao se ouvem sirenes porque os cabos electricos foram todos roubados por contribuintes nomadas de etnia romani.

quando o projectil se precipita sobre a praia urbana de odivelas, os transeuntes debatem se a culpa será de sócrates, do salazar ou de jorge jesus.

na ilha da madeira as vendas de protector solar e oculos de sol atingem maximos historicos e o IPMA declara um alerta roxo, o 19º mais grave numa escala de 20.

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A Baía dos PIIGS

Crédito pela ideia: John Wolf. 

 

On October 24th, 2015, after fulfilling every promise on far-left party Syriza’s political manifesto, Greece unilaterally abandoned membership of NATO.

As conflict between government forces, backed by Western mercenaries, and pro-Russian separatists spread across the Ukraine, spilling over into Moldova and Romania and forcing Hungary, Serbia and Bulgaria to polarize their stances further – the former two away from a decaying EU, the latter closer to that bloc –  Russia seized the opening from Greece, with whom it agreed on terms for the construction and development of a military port and airfield on the island of Crete. 

Shortly thereafter, and still reeling from the aftermath of “financial intervention” by the European Commission, the nation of Cyprus unilaterally declared its own divorce from the European Union, abandoning the Euro as legal tender and reverting to the Cypriot Pound, pegging it to the Russian rouble immediately. 

 

 

Creative Commons License
The Bay of PIIGS by Fernando Melro dos Santos and John Wolf is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
Based on a work at http://estadosentido.blogs.sapo.pt/a-baia-dos-piigs-3505209.

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Carta Aberta de Alexis Tsipras à Alemanha

Link.

 

Pessoalmente, acho que faz todo o sentido, e pouco me rala que o tipo seja Marxista. Até podia ser marciano, e isto custa certamente imenso a engolir aos betos provincianos das pseudo-direitas e das sinistro-fracturas que por cá se vão entretendo com jogos de salão.

 

Espero que não o acidentem em algum aeroporto Russo ou coisa parecida. 

 

Vergonha suprema: nem assim haver um partido em Portugal que chegue aos tomates do Syriza. 

 

Nota Bene:

Se as eleições gregas tivessem sido cá, o meu voto teria ido para os Gregos Independentes. A Grécia tem assim dois, não um, partidos com eles no sítio. 

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Extrapolações a partir de Tsipras

Greek-Philosophers

 

A crise europeia acabou, e o emprego vai crescer exponencialmente em todos os Estados-membro da União Europeia.

A Dívida Grega vai ser perdoada e a Troika vai conceder um bónus de 500 mil milhões de euros aos helénicos por terem tido uma ideia tão boa.

A Austeridade vai acabar dentro de 10 minutos e cada cidadão europeu vai receber um cheque de 500 euros para estoirar no Carnaval com a garantia de que receberá outro no Natal.

A Rússia vai retirar-se da Ucrânia e compensar aquele país pelos danos causados e oferecer  gás natural durante 20 anos.

O Estado Islâmico vai converter-se em centro ecuménico de reflexão e paz.

Os EUA vão deixar a Rússia desmontar a NATO.

A União Europeia vai ter, a partir de amanhã, uma União Fiscal e uma Política Externa e de Segurança Comum.

Portugal vai ser salvo por um novo partido de inspiração tsiprarista fundado por António Costa, Mário Soares e José Sócrates.

Os ataques terroristas, tal como acontece com as greves, deverão ser marcados com antecedência mínima de 24 horas pelas uniões sindicais que representam os suicídas.

As receitas da venda de armas dos EUA, França, Reino Unido e Alemanha vão reverter integralmente para a Cruz Vermelha, a Amnístia Internacional e o Banco Alimentar contra a Fome, que cessarão de existir e tornar-se -ão desnecessários.

O Euro irá ser adoptado por todos os países africanos descarrilando o Dólar Americano como moeda de referência no comércio internacional.

Todas as Empresas Privadas portuguesas serão nacionalizadas para compensar a Privatização da TAP e a perda de controlo sobre a PT.

Os bancos vão passar a ter filiais dentro da casa de cada família portuguesa para pôr em prática soluções de poupança e oferecer salários aos reformados e delinquentes.

As semanas laborais vão ser sujeitas a uma reforma humanitária que implicará não mais de 15 horas semanais de trabalho.

As dívidas vão passar a ser entendidas como um valor positivo civilizacional e promovidas no programa curricular das escolas.

Os partidos políticos da Extrema Direita e da Extrema Esquerda vão deixar de existir para dar destaque a uma força moderada nascida a partir de uma sociedade civil que não sabe o significado de ideologia.

E por último, eu deixarei de ter ideias tão realistas quanto estas e outras que me escapam de um modo tão flagrante…

 

 

 

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