Digam-me o que é pior: titubear aos caídos, seguir a pulsão egótica, conduzir um GTO até aos 35 e inflectir para dentro do Bible Belt, monovolume nos dedos, vida recomeçada e tudo isto sem perder as lias com o passado, sem ter caído na desonra absoluta; ou conformar, enformar, aparecer nas buscas personalizadas sempre ao topo da lista e depois, sem aviso, sucumbir a décadas de passeio pelo campo minado da herança, da escola, dos dias a medo, da compulsão social e estoirar pelo gargalo, num gráfico simétrico do outro?

 

A personagem que Ethan Hawke encarna acaba por ser, à parte de Mason Jr., o que de melhor há na Humanidade: a boa vontade, em cima do joelho, sem perder de vista o fino equilíbrio entre o indivíduo e o abandono por um bem maior, não comum mas nosso. Entre a propriedade e a abnegação, o self e a selflessness. 

 

Digam-me o que é melhor: o cabimento num molde de origem extrínseca, colectivo, grupal, expectável, validado tacitamente pela futilidade dos números, ou a natural cedência ao instinto que a fortiori nos trouxe aqui, mal ou bem, onde chegámos, muito apesar dos desfechos ditados pela aritmética?

 

Vem isto a propósito do rácio natalidade/mortalidade em Portugal, do filme em epígrafe, de um aspecto menos comentado nessa película, e do papel que vai valer ao actor nomeado um Óscar – valha o que valer – a milhas da concorrência. 

 

Há depois um spoiler: carpe diem? Não, é mais ao contrário, o que além de fazer todo o sentido, traduz a ideia original por detrás do filme. Ide ver. 

 

Queria escrever algo sobre “Rudderless”, outro filme soberbo que, como sempre e por nao atrair antropoides para as salas, jamais cá chegará, mas vou deixar para mais tarde. Tenho um centro de baixas pressões para gerir.