26.06.2010, Correio da Manhã:

 

Rui Pedro Soares queria limitar o poder de reacção do Presidente da República no negócio PT-TVI e a solução passava por Luís Montez. Genro de Cavaco Silva, Montez está há muitos anos ligado à Comunicação Social (dono da Radar, da Oxigénio, da Rádio Capital e da Rádio Amália) e o objectivo era que o empresário fizesse parte do negócio entre a PT e TVI.

A 24 de Junho, quando estava em Madrid para fechar o acordo, e horas antes de José Sócrates ter dito no Parlamento que desconhecia o negócio, Rui Pedro fala com Paulo Penedos. Em tom de brincadeira, pergunta quanto é que vão cobrar por conferência e avança que há um dado novo – ‘as rádios [a Media Capital é dona da Comercial, Rádio Clube, Cidade e M80] vão ser compradas pela Ongoing e pelo genro do Cavaco’. Penedos diz que isso é bom e pergunta se Rui Pedro é o ‘autor dessa patifaria’. Em resposta, o antigo administrador da PT deixa bem claro qual é o objectivo: ‘[Falando sobre Cavaco] é o preço da paz e esse cala-se logo, fica a cuidar dos netos’.

 

18.11.2014, Observador:

De um palácio cor-de-rosa para um convento cor-de-rosa. Quando tiver de deixar o Palácio de Belém, em Março de 2016, o Presidente da República já tem a escolha de gabinete feita: uma parte de um Convento em Alcântara. Cavaco Silva está a preparar o futuro pós Presidência da República, já deu ordem para avançar com as obras que vão custar 475 mil euros (IVA incluído) e a assinatura do contrato vai acontecer em breve.

 

Já se sabe onde Cavaco vai tomar conta dos netos. O preço da paz, pelo menos em obras, será de €475.000 (antes de derrapagens, ajustes, inflação e eleições) pelo que ao mais alto magistrado da Nação, o ES deseja uma feliz reforma sempre com a rádio bem sintonizada e que não lhe falte a Amália.

Fica por explicar, como tudo fica por explicar num país convertido em bairro social, todo o caso das escutas (emails “extraviados”, assessores demitidos, o silêncio) mas também, a bom ver, é mais uma gota no rio por onde foram Júlio Sebastião, o Núcleo Sinistro, o Heron Castilho, o anacoreta de Shaolin, e tantas outras esculturas político-partidárias.