Não simpatizo com Marinho e Pinto, e muito menos com Ana Gomes. Contudo, ao saber que estão em curso pedidos de levantamento da imunidade parlamentar a ambos (uma figura com a qual, por acaso, também não concordo) é imediato para a minha mente relacionar a enorme proactividade do sistema (Marinho afronta, tem de ser metido na ordem; Ana Gomes mordeu o xôtôr, tem de ser mordida de volta) com a passividade do eleitorado.

Afinal, se para ter acesso à Justiça já não basta ser rico, ter padrinhos, e estar dentro da máquina, para quê fazer barulho por causa de nove ou dez mortos? Ainda nos sucede qualquer coisinha má, como no tempo do Salazar. 

 

No Direito Anglo-Saxónico o juiz é praticamente soberano; no Direito Romano, nem tanto; no Direito Português o juiz é visto como mais um mensageiro da desgraça. Não consigo imaginar maior perversão da ordem das coisas.