O que mudou para si desde que nasceu? Vive melhor? Não vive?
Sente-se num país, num asilo, ou estas questões não lhe dizem nada?
Como é que a União Europeia fez de si uma pessoa mais rica, feliz, bonita e empoderada?
Tenciona ficar a ver o circo implodir ou o pudor levá-lo-à a sair de cá para não alimentar nem chulos nem macacos no zoo?
Diga-nos o que pensa na caixa de comentários que é hoje toda sua sem moderação.
Adenda: as minhas desculpas aos comentadores que têm demorado dias a ver os seus comentários aprovados noutros posts. O sistema do Sapo deixou de enviar mail a avisar-me quando é necessária a minha intervenção.

Respondendo às primeiras questões, desde que me conheço, sinto-me totalmente enganada, mesmo quando vi o país de fora “out of the box”. Pensei, ou fui levada a pensar e acreditei que a convergência com os restantes países do Norte da Europa fosse possível e se iria consolidar no espaço de algumas décadas. Não fugi em devido tempo. Fiquei e construí a minha vida e a de um filho, sempre assente na premissa de que o país tinha tudo para ser mais um Europeu. Em vez disso, décadas e muitos biliões de euros depois o que vejo e com que me debato é, essencialmente, com uma convergência aos escolhos dos confins de África, ou à América do Sul. Um país padrasto para os ingénuos e para todos aqueles que não se incrustaram ao Estado a que tudo isto chegou: à incompetência, à corrupção, à impunidade e à podridão com que afinal, todos nós somos responsabilizados e responsáveis.
Por outro lado, a nossa própria história tem demonstrado que somos mesmo uns incapazes. Nada fizemos com as nossas colónias e nada sabemos hoje fazer com os parcos recursos que temos. Decididamente, fomos e somos uns incapazes e mais ainda seremos se continuarmos a lamentarmo-nos pelo que o futuro nos trará, se nada fizermos já hoje. E hoje há que dizer basta a toda esta corja de inimputáveis, não apenas por nós mas, pelo futuro dos nossos!
Ana,
obrigado pelo seu testemunho, em cujas linhas encontro muito que é tangente ao que eu próprio teria a dizer – sobretudo, e escrevo-o com algum azedume, à opção por ficar – sobretudo com filhos – em detrimento de uma partida atempada.
Um abraço.
É esse também o meu maior azedume e contrariedade, senão já teria partido e recomeçado do zero em algum lugar.
Um abraço cheio de esperança que se consiga sair desta, sem sair daqui.
Para encontrar respostas para as suas questões aconselho-lhe o livro ” Porque falham as nações”, de Daron Acemoglu e James A. Robinson.
A tese dos autores que defendem que as nações falham por causa das suas instituições políticas (corruptas, que criam a desigualdade e não valorizam o mérito) é também corroborada pelo caso português. Resumindo: a resposta às suas questões no plano individual e colectivo (penso eu) é a seguinte ” Eu não estou mais rica, mais epoderada (?), mais feliz…mas alguns estão.
Maria,
obrigado pelo seu testemunho e pela sugestão de (re)leitura, que a par dos escritos do Pe. Teilhard de Chardin e de milhentas outras obras seminais, ocupa sempre o primeiro plano da minha consciência. E com cujas conclusões evidentemente concordo.
O termo “empoderada” (“empowered”) é uma das parvoíces instituídas pelo newspeak sociocrático e no post emprego-o com ironia. Ou tento 😉
Um abraço.
Já tenho idade suficiente para poder dizer que eu e aqueles com quem convivo na rua, no trabalho, no café, vivemos melhor do que na altura em que nasci. Isto não quer dizer que não me sinta agora numa curva descendente, e não é só pela idade…
Xico,
grato pela participação. Eu tenho 43 anos, e estou melhor agora do que quando nasci; contudo, não tenho quaisquer dúvidas que se tal sucede, é porque mal pude, me lancei no vazio sem rede, nunca querendo, esperando ou contando com nada a não ser o produto do meu trabalho diário.
Não duvido que seja também o seu caso. É o caso onde cai a maior parte das pessoas que ainda pôde saltar de um trabalho, em busca de outro, aprendendo pelo caminho, sem mordomias nem almofadas. Tal conjuntura era então global, ou pelo menos hemisférica. No Ocidente crescia-se, sobre as ruínas de umas quantas guerras.
Mas não podemos generalizar. Conheço muita gente da nossa geração, para onde apontamos? – 40-50? 45-55? – que piorou, e muito, em qualidade de vida; porque agora sustenta filhos desempregados e sobre/malqualificados, e netos criados em estufa.
Era mais ou menos deste segmento que eu queria obter um rácio quantidade/qualidade: valerá a pena a aniquilação do que Portugal ainda ia tendo que o aproximava do clube mais civilizado, por câmbio de migalhas?
Não sei, como disse, o meu avanço foi produto das minhas escolhas, que passaram sempre por renegar o apoio, a subvenção e o subsídio.
Abraço.