Em Portugal, para quem quiser perceber de onde viemos, como aqui chegámos e para onde iremos, basta desenterrar a cabeça da areia e aceitar um contraste simples.
Eu, e sem dúvida mais um bom milhão de portugueses, somos esbulhados todos os dias – na conta da luz que paga a vida a nababos de todos os Partidos, nas multas inanes por ir a 90 km/h em avenidas de seis faixas feitas com o dinheiro suado dos outros, em descontos e impostos extorquidos sob ameaça de ostracismo e cárcere, e a lista expande-se para além da minha pobre ciência – para manter esta podridão a céu aberto. Se nos recusarmos, somos punidos, como bons escravos.
Os outros, os que usufruem da “nossa” passividade e indignação selectiva, bem como certamente do compadrio com as ovelhas menos vertebradas do rebanho, deixam cair pontes, morrer gente com bactérias do Terceiro Mundo, ostentam o creme da teta ainda a brilhar aos cantos da boca, e não lhes acontece nada.
Quando um dia alguém acordar e olhar ao espelho, durante mais uns minutos do que o habitual, para decidir se se imola na escadaria de S. Bento ou se enfia uma estaca pelo cu de algum deputado a cima, será de estranhar, mas certamente que será um excelente sinal dos tempos que se abeiram.
A única coisa que importa é erguer a puta da cabeça, que já tarda, e mandá-los a todos para uma vala comum.
De facto, somos um esgoto a céu aberto. vendemos tudo, até a língua. Desgraçadamente
Mil por cento d’acordo com tudo quanto escreveu. Mais escrevera e mais acertara. Parabéns.
Maria