Thomas Eric Duncan embarcou em Monróvia num voo com 4 escalas destinado, ultimamente, a Dallas Fort Worth.
Sabemos que Duncan, pessoa esclarecida e educada, participara numa trasladação em território Liberiano, onde sofreu, com 99.95% de probabilidade, a sua infecção com a estirpe Zaire do virus Ebola. Um co-infectado já morreu anteontem naquele país.
A janela de incubação da doença é tal que não pode saber-se se Duncan estava ou não infeccioso durante o trajecto aéreo que o levou a Casablanca*, Bruxelas, Dulles, La Guardia**, Los Angeles e Dallas.
Mas uma coisa sabemos, que é a curva de distribuição que alude à eclosão de sintomas, universalmente tida por directriz do grau infeccioso de cada paciente:
Assim, é provável(70), mais do que possível (50) que Duncan estivesse, ainda que à margem da sua consciência, sintomático ao 4º dia após exposição.
Dizem todas as fontes que o enterro em Monróvia teve lugar a 15. Mais 4, são 19, data do embarque. Duncan pode assim, ao contrário do que dizem (ou omitem) as fontes oficiais, ter exposto cerca de dois mil seres humanos à carga viral que excretaria nessa altura.
A definição de “contacto com fluidos” da OMS é carente de explicação: um espirro, uma cuspidela, tosse que se faz depositar sobre o manipulo de uma porta, tudo isto é contacto com fluidos. Tudo isto Duncan pode ter promovido durante os oito dias (2 em voo e 6 em territorio americano sem isolamento) em que o sistema o ignorou.
Em perspectiva, a estimativa inicial (hora zero) do CDC era de haver “um punhado” (sic) de contactos a seguir; 12 horas depois, eram 18. E hoje de manhã, 80. Há instantes, o CDC emitiu um mandado de arresto do avião que transportou Duncan, sem contudo admitir quaisquer alterações na escala de progressão apresentada aquando da revelação do caso. Isto é, de repente é preciso deter um A320 e rastrear todos a bordo nos últimos sete voos, mas sem que haja motivo para alarme.
Qualquer pessoa normal das ideias estará , espero, a preparar-se para o pior – ou pelo menos cínica acerca do embuste grosseiro em que se tornaram, quando a hora chegou, as entidades competentes.
Esperemos que não seja nada.

* e ** – nenhuma das companhias aéreas envolvidas no transporte de Duncan confirmou ou negou até agora que qualquer das únicas duas rotas possíveis saindo de Monróvia tenha sido a tomada por Duncan, daí a inclusão neste post de todas as escalas exequiveis e habituais de acordo com pesquisa efectuada hoje por voos aolongo do mesmo trajecto.
“…é provável(70), mais do que possível (50) que Duncan estivesse, ainda que à margem da sua consciência, sintomático ao 4º dia após exposição”…
Possivelmente, de acordo com as estatísticas, até podia estar morto e continuar a deslocar-se de avião em avião sem se dar conta disso…
Se é um post sério, pedia-se um bocadinho mais de rigor.
Estar “sintomático”, “à margem da sua consciência”? Febre alta que surge de forma súbita (39ºC, 40ºC de um momento para o outro), vómitos, diarreia, tosse e soluços incontroláveis… “À margem da sua consciência…”?!!
“um espirro, uma cuspidela, tosse que se faz depositar sobre o manipulo de uma porta, tudo isto é contacto com fluidos.” – Um espirro e uma cuspidela que atinjam uma mucosa ou ferida aberta… O vírus não resiste ao ar livre mais do que uns minutos, nem tem possibilidade de penetrar a pele, logo, se alguém contaminado e já sintomático (de forma que a sua consciência não fique à margem) tossir para cima de uma maçaneta, e alguém imediatamente a seguir tocar na maçaneta e, imediatamente a seguir, levar a mão à boca, aí sim, há um risco…
No entanto, na esmagadora maioria, senão em todos os casos registados neste surto, há sempre uma situação de contágio conhecida… Um familiar doente com quem se teve contacto próximo, na fase dos vómitos e das hemorragias, os profissionais de saúde e outros voluntários, por motivos óbvios e, acima de tudo, contacto muito próximo com os cadáveres nos funerais…
Felizmente, embora não seja completamente impossível, o Ébola não se apanha nas maçanetas…
Infelizmente, é uma doença que “se alimenta da ignorância” e cujos efeitos destruidores são potenciados pelo pânico… Ignorância e pânico a que este “post sério” deu uma ajudinha…
Já é impossível quantificar quantas pessoas morreram e vão morrer, porque colocadas perante os cancelamentos de quase todos os voos, e a ameaça séria de um “bloqueio total”, a esmagadora maioria das empresas estrangeiras e ONG’s retiraram destes países, provocando, literalmente, o colapso económico e ajudando ao social…
Se o que propõe é o dito bloqueio, está a defender uma situação que vai causar centenas de milhar ou mesmo milhões de mortos… Fome, caos, fuga em massa…
Mas, se calhar, como são africanos, não interessa…
Meu caro, peço-lhe que o excesso de confiança na sua nesciência não induza em erro os leitores.
O virus persiste fora do hospedeiro, em superficies, até oito semanas após excreção. Subsiste, tambem, em fluidos de hospedeiros já curados (sémen, por exemplo) até 81 dias após a cura. Perdura, ainda, em reservatórios domésticos alternativos (cães, morcegos, macacos, gatos) sem quaisquer sintomas durante o tempo de vida do reservatório.
Por último, estar sintomático à margem da sua consciencia seria, por exemplo, ter uma afecção do tracto gastrointestinal associada a um aumento da carga viral, e tomá-la por uma irritação corriqueira, por exemplo uma intoxicacao alimentar. Ou ter febre (o criterio do CDC nao sao 39ºC, nem nada que se pareça) e nao lhe atribuir importancia.
Entendeu?
Correcção, 61 dias. Em vez de 81.
http://virologydownunder.blogspot.com.a u/2014/08/ebola-virus-in-semen-is-real-d eal.html
O critério do CDC são 38.5ºC, e se sabe do que fala, percebe a diferença entre 38.5 e 39 ou 40.
E agora, que tenho tempo, resta dizer que quando o meu caro quiser elocubrar parvoíces sem nexo (o “custo económico e social” versus a extinção da Humanidade) é de bom garbo que não o faça sob a cogula do anonimato. De gente estúpida armada em esperta estamos todos, eu e a Nação, fartinhos até à rama do cerebelo.
Meu caro…
Se realmente o que propõe (pelos vistos é isso mesmo e ainda de uma forma mais consciente do que eu imaginava) deixe-me concretizar o que é o “custo económico e social” que, na expressão e contexto que utiliza, parece uma qualquer futilidade:
Falando, por exemplo, da Libéria o “custo económico e social” de isolar completamente o pais, seria mais ou menos o seguinte:
Deixando de chegar o dinheiro e o arroz que as empresas estrangeiras trazem, milhares de pessoas ficam, literalmente, sem nada para comer…
O que ainda resta dos mercados “de rua” não tem comida em quantidade suficiente para manter a população de Monróvia, e todo o restante comercio, propriedade de estrangeiros (maioritariamente indianos e libaneses) fecha…
O equilíbrio já tão frágil, que ainda mantinha uma certa paz colapsa de vez e sucedem-se, em Monrovia e no interior, os motins violentos, onde os confrontos com a polícia e o exército causam largas centenas de mortos e feridos…
Grupos armados começam a pilhar tudo o que apanham deixando a população numa situação ainda pior…
Por fim, sem comida e com medo da doença, milhares de pessoas fogem tentando passar a fronteira da Costa do Marfim e da Guiné, muitos são impedidos pelos exércitos destes países, muitos são mortos nos confrontos, mas muitos mais passam, é impossível controlar a fronteira e a CM, como os países vizinhos da Guiné e da Serra Leoa, passam a estar incluídos no problema…
Como é que eu sei? Porque este estúpido esteve lá… Viveu lá… Esteve isolado à espera dos resultados das análises, perdeu colegas e amigos para a doença, viu os sacos de cadáveres a boiar nos pântanos e os mortos espalhados pelas ruas a serem comidos pelos cães…
E viu, a fase inicial dos tais “efeitos económicos e sociais” que lhe parecem tão insignificantes…
Acima de tudo, este estúpido recebeu as tais “parvoíces sem nexo” que aqui escreveu dos maiores especialistas mundiais nesta doença, mas pronto, ao menos não sou daqueles estúpidos que julgam saber tudo sobre situações que não conhecem bem…
Já agora, uma pergunta estúpida… A solução que recomenda, por exemplo, para a SIDA, também é encerrar todos os infectados sem assistência, até morrerem, quer de fome quer da doença?
Já agora, assino, João Pedro Pereira, talvez estúpido, mas ainda assim capaz de discutir ideias sem insultar o seu interlocutor… Recomendava-lhe que experimentasse, mas geralmente são precisos anos de educação, de preferência na infância, para “sair” naturalmente…
“Two new additions to those CDC Ebola sections really stand out:
This isn’t the first time the CDC has changed content on a webpage, and the act in itself isn’t a bad thing – after all, when new information is discovered, one would expect a site like this to be updated.”
“Ebola only spreads when people are sick. A patient must have symptoms to spread the disease to others.
Ebola is spread through direct contact (through broken skin or mucous membranes in, for example, the eyes, nose, or mouth) with:
Blood or body fluids of a person who is sick with Ebola;
Objects (like needles and syringes) that have been contaminated with the virus;
Infected animals (bats, monkeys, and apes).
Ebola is not spread through the air or by water, or in general, by food. There is no evidence that mosquitos or other insects can transmit Ebola virus.” [CDC]