Há quem goste de apagar da história, tendo por isso mesmo um longo currículo na matéria. Seguindo as lições dos desaparecidos sponsors do leste, logo souberam limpar os mais comprometedores números do Avante, para sempre volatilizando os textos laudatórios do Pacto de 23 de Agosto de 1939, bem como as “relações de camaradagem entre os soldados da Wehrmacht e o operariado francês”.  Agora, chegou a vez dos bustos. Os mesmos que se indignam pelo envio  para o cadinho, de centenas de estátuas de Lenine, Estaline, Dzhezinsky e outros meliantes, ofendem-se muito pela presença no Parlamento, de uns tantos bustos dos dispendiosos e inúteis locatários do Palácio de Belém.  Arranjaram mais um caso de vida ou morte nacional. No entanto…

 

…até têm alguma razão, pois aquela casa bem poderia fazer mais pela sua imagem. Estando a Câmara dos Pares redignificada pelo grande retrato de D. Luís I –  A mesma limpeza beneficiou a Biblioteca com D. João VI e a sala D. Maria II com o respectivo retrato -, urge proceder a uma desinfestação geral no hemiciclo que foi e ainda é a Câmara Baixa, de lá retirando o horroroso e sinistro mamarracho lá colocado em 1911. Quem substituiria a mastronça de Teixeira Lopes? Têm uma excelente alternativa, mesmo à mão no Museu do Palácio de S. Bento: a estátua de D. Carlos I que serviu de modelo àquela que hoje é visível diante do Palácio da Ajuda. Durante anos marcou posição no Parlamento, naquele nicho de onde jamais deveria ter saído. Aproveitem o nervosismo e serão recompensados com um grande afluxo de visitantes interessados numa nova atracção turística.