Mês: Outubro 2014 (Page 1 of 5)

F16 ou o Euromilhões?

A_115130

 

Não nos devemos esquecer quais são as fronteiras geopolíticas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN-NATO), e, nessa medida, relembrar que Portugal assinou o tratado constituinte da organização a 3 de Abril de 1949, sendo desse modo, um dos países fundadores da organização. A Rússia não nem nada a favor ou contra Portugal. Acontece que, a haver uma “porta” mais vulnerável à entrada de estranhos no “território” NATO, essa porta Ocidental pode muito bem ser Portugal. Enquanto os analistas e estrategas apontam o radar à centralidade euroasiática, a Rússia demonstra que um “assalto” é possível a partir de quadrantes distintos, de outras latitudes. Aqueles que sempre se manifestaram contra o investimento nas Forças Armadas Portuguesas e a aquisição de uma esquadra de F-16, parecem ter caído num silêncio incómodo, mas, efectivamente fica demonstrada a utilidade dos caças, na defesa do espaço nacional, mas também num quadro de apoio recíproco que a NATO convencionou entre os seus membros. Não chegamos ao patamar que implique o invocar do Artº 5 do tratado, contudo, os primeiros mecanismos de resposta parecem estar a funcionar com a agilidade de comando e controlo que incidentes desta natureza exigem. O principal desafio que se apresenta na interpretação dos mais recentes acontecimentos, prende-se com a provável escalada das provocações e a resposta que terá de ser produzida numa ordem proporcional e dissuasora. O facto do espaço aéreo nacional ter sido violado pela força aérea russa, não pode ser menosprezado, subestimado. O ministro dos negócios estrangeiros Rui Machete não pode ser o porta-voz de um falso sentimento de acomodamento. Na estrutura organizacional da NATO, e atendendo a um quadro geopolítico muito mais amplo, existem considerações maiores – patentes mais elevadas, perigos consideráveis. O destino de um país não pode resultar de um acaso, de uma tômbola de azares e fortunas em política externa. Sorte ou falta dela.

Aprender com África

O meu desejo de São Martinho, Helloween, Samhain, Solsticio, Yule, Natal, Ano Novo, e já agora aniversário.

E é sincero. Num país de grunhos que se desmancham em riso porcino perante as câmeras, a troco de umas rifas migalheiras que os demarquem perante o resto do bairro, e que de tanto vilipendiar o conhecimento e o mérito acabaram por correr com o futuro, é o mínimo que posso querer ver no meu tempo de vida.

 

Em 40 anos, o Alto Volta fez-se um país condigno. E no mesmo período, Portugal fez-se uma casa de putas.

 

 

 

Manifestantes ateiam fogo ao Parlamento no Burkina Faso, em protesto.

 

http://www.sol.pt/noticia/117586

 

 

http://www.aljazeera.com/news/africa/2014/10/protesters-storm-burkina-faso-parliament-20141030103451460862.html

 

http://www.bbc.co.uk/news/world-africa-29831262

Medalhas socráticas

ssm62-2

 

Sei que faz parte da matriz cultural portuguesa a progressão na carreira ao fim de certos anos de serviço e a passagem administrativa de mero funcionário a quadro da entidade em causa, e, que para todos os efeitos, o desempenho pode ser um mero factor secundário – o que conta é que se apresentou no emprego e não teve muitos dias de baixa médica. Ou seja, nem é preciso ser bom naquilo que se faz. É preciso é aparecer e ocupar o gabinete. Já devem ter percebido do que falo. Onde está escrito que o Presidente da República é obrigado a condecorar um Primeiro-Ministro? Mesmo que pareça uma tradição ou seja um costume, o direito discricionário deve prevalecer – a medalha não deve ser atribuída de um modo burocrático. Se vamos pelo caminho do choradinho – “aquele menino recebeu um chupa-chupa e eu também quero” – estaremos de facto a nivelar tudo e todos de acordo com a mesma bitola baixa. Se assim fosse, atribuir-se-ia a distinção logo na tomada de posse, no momento inaugural, no dia da vitória eleitoral, no primeiro visionamento da ecografia política. Quem sabe ao certo qual o tempo de gestação das decorações? Se a medalha for como o vinho do Porto, então talvez valha a pena esperar uns bons 50 anos para brindar. Talvez seja boa ideia pensar uns segundos sobre a matéria.

Stress tretas e o MillenniumBCP

how-stress-affects-fertility

 

É tão bom ter amigos destes. Daqueles que pagam adiantado e torcem as verdades para defender interesses  alheios. Já sabemos que o sistema está podre, que a política e as finanças se corrompem mutuamente. Mas os meios de comunicação social também estão metidos até ao pescoço na mesma porcaria. Os mercados vivem de rumores e mexericos, boatos e desmentidos, e, os jornais e a televisão prolongam esse estado hipocondríaco, para vender postas de alegada credibilidade, amostras de ganhos futuros. Como é que o Económico sabe que o banco MillenniumBCP não vai precisar de reforçar rácios de capital, à luz dos mais recentes resultados dos stress tests do Banco Central Europeu? Ou será que em vez de praticar jornalismo de um modo deontológico e sério, escolheu o caminho do desvio da verdade e a disciplina de ficção financeira? Já ouvimos esta conversa tantas vezes; o paleio de que o Banco Espírito Santo está a salvo, a declaração de solvência do Banco Português de Negócios, ou ainda, as certezas sobre o estado de saúde do Banco Privado. O aumento de capital é uma bela jogada para tapar o sol com a peneira. É como verter água de um modo contínuo e abundante para um tanque rachado por um sismo de magnitude 8 na escala de richness. E a dívida privada, consubstanciada no crédito malparado? E os instrumentos financeiros complexos de que se serve este banco, como fazem todas as outras instituições financeiras? É sempre tudo um belo mar de rosas. Não era suposto os meios de comunicação social serem isentos e realizarem a entrega de mensagens de um modo imparcial? Pois, mas não parece ser esse o caso em Portugal. Parece haver uma agenda de comunicação em Portugal, dirigida por um qualquer clube macarrónico ou maçónico, que determina o teor e o grau de informação que deve chegar ao cidadão comum. O cangalho está arruinado e não há nada a fazer senão aceitar esse estado de desgraça. Não vale a pena se porem a inventar que está tudo bem. Não está nada bem. O resto são detalhes de contabilidade – accountability é outra estória. Preparem-se. Ainda há mais drama alinhado para delírio do prime time dos jornais e televisões nacionais.

Publicado em Uncategorized

Atropelos em pé

passadeira

 

Sem excepções, e diariamente, atravessar uma passadeira na cidade de Lisboa é um martírio. O total desrespeito pelos peões diz muito sobre o modo como o cidadão trata o seu concidadão. E pouco importa que as posições sejam revezadas – o mesmíssimo peão, que há instantes quase foi atropelado na passadeira, será o condutor seguinte a colocar em perigo a vida de outrém. Este estado de alma nacional tem muito a ver com as causas da crise, do descalabro. Tem a ver com a ideia da obtenção de vantagens sobre o semelhante. Tem a ver com atribuir maior importância à vida de uns em detrimento de outros. Tem a ver com a distorção do conceito de democracia. Tem a ver com a ditadura e a liberdade que residem no espírito de cada um. Tem a ver com a pressa de chegar a parte alguma, a um destino que pouca diferença faz. Animais. Zebra – superior no seu estado selvagem. 

Publicado em Sem categoria | Tags , , , , , , ,

In memoriam – David Garcia

dscf0060.jpg

Lutador incansável pela Causa Monárquica, David Garcia deixou-nos hoje. Um jovem a quem a vida foi madrasta descansa agora em paz.

O velorio terá lugar amanhã, dia 22 de Outubro, às 16h00 na Igreja de São Miguel, em Sintra. Será celebrada missa de corpo presente entre 12.30 e as 14h00. O funeral sairá da Igreja às 14h00 de quinta-feira, dia 23 de Outubro.

À sua Família, que sempre esteve com ele, as minhas mais sinceras condolências.

Um abraço David e até sempre. 

Publicado em Sem categoria | Tags ,

Boas notícias!

Na sequência do sucesso bacteriológico da minha primeira crónica semanal, fui convidado para uma entrevista com a repórter da RTP3, Katalina Passos Sócrates de Cunhal, que me garantiu em genuflexão nada ter a ver com qualquer figura do meio político, tanto que nasceu em Shaolin e só veio para a UE quando já tinha o cartão jovem caducado, aos 54 anos.

Licenciada em Filologia das Possibilidades Urbanas, a minha futura interlocutora conseguiu convencer-me a aceitar, pela primeira vez na minha incipiente vida, o salto para a mesma ribalta onde pontificam figuras como os concorrentes d’O Preço Certo, os incontáveis bandos de transeuntes sem eira nem beira dos areais de onde é transmitido Nós Somos Portugal – a missa social que tantos admiradores congrega nestes tempos difíceis – e Pacheco Pereira. 

Deixo-vos com o apontamento cultural do dia, um filminho que vem comigo desde os meus doze anos, ao qual tenho a certeza que a ser incluído num quiz para deputados, 99.99% não saberiam reconhecer. Mas o importante é que vocês votam sempre neles, não é? Pois é. A vida tem de continuar, amiguinhos, mesmo que façam de nós os maiores, mais gananciosos e mais ingénuos parvos da História. 

 

Divirtam-se e koniec!

 

 

Publicado em Uncategorized

A Sul do Céu – crónica semanal

Semana de 14 a 21 de Outubro, Anno Constitutio 2014

 

Socialização da apatia e da morte 

No Bairro do Zambujal, nos arredores da Amadora, deflagrou (presume-se que espontaneamente, como tudo neste país, sem causa que não o acaso) – um incêndio que consumiu uma habitação onde residiam seis crianças e os seus pais, aos quais de acordo com informação prestada por vizinhos é imputada a prática frequente da ausência, deixando os petizes à sua sorte. 

Foi essa a rifa que calhou a Samira, a mais velha (14 anos, senhores) das seis crianças, que morreu num acto de bravura e heroísmo que deveria envergonhar o somatório das figuras públicas, semi-públicas e das que competem para um dia vir a ser para-públicas, até que todos se enfiassem no esgoto de onde nunca deveriam ter saído.

Ameaçada pelas chamas, Samira retirou, um por um, os irmãos de dentro da habitação ardente. Quando terminou, ainda voltou para trás com o fito de certificar-se de não ter deixado ninguém esquecido. De acordo com alguns espectadores (tétrico, não?) citados pelos media, as autoridades não permitiram que ninguem socorresse ou auxiliasse Samira, que já não voltou a emergir do apartamento.

Não consta, até hoje, em qualquer jornal que vá ser aberta uma investigação ou que as crianças sobreviventes possam ser subtraídas à égide dos “pais”. Isso seria certamente fascismo, ou pior, insocialismo. Também não consta que Samira vá ter o seu nome numa rua, rotunda, praça, ou jardim – que devem estar reservados para Mário Soares e quejandos próceres do estado a que chegou o Estado.

Mas consta que a Câmara, a mesma entidade que supostamente articula esforços com a Segurança Social para que episódios destes possam ser evitados, vai realojar a família. Assim, sem mais, e sem que alguém ache estranho. É parte do fardo que Abril nos deixou, a branda placidez democrática.

 

 

A Quadratura e o Olho na Pirâmide

Abomino António Costa, tal como me encolho, em inapelável retenção de líquidos, sempre que testemunho o efeito do discurso socialista – seja ele de esquerda, de centro ou de direita como é consequência dos cinco partidos que no burgo o defendem – nas massas famintas. Nutro uma completa abjecção pelo sorriso sintético e calculado com que o Obama do Intendente brinda o séquito renovado, essa manada de migalheiros que vende os filhos por meia dúzia de óbulos em segunda mão. 

Contudo, porque sou uma pessoa humana e como tal coerente, acho estranha a indignação, aqui e ali, por Costa ainda comentar num programa semanal emitido por uma televisão privada. E estranho, porque Costa é um só homem: nao existe o Costa cidadão e o Costa candidato, tal como não existia, aquando da indignação prévia, o Sócrates que tomou conhecimento de um facto enquanto cidadão e o Sócrates que tomou conhecimento do mesmo facto enquanto Primeiro. 

Se queremos que nos respeitem, temos que dar-nos ao respeito e isso passa por não fazermos dos nossos opositores uma espécie de bandalhos com duas faces que se viram consoante a estação, como se fossem colchões de molas. Para isso é costume alugar-se a Aula Magna.

 

 

No campo e na praia é que se está bem

Esta semana ouvimos agricultores queixarem-se, por uma vez na vida com dignidade lúcida ao não clamarem pelo subsídio salvífico, da ruína iminente que sobre eles pende devido às flutuações climatéricas, designadamente esta onda trigésimo-gradista, que se faz sentir um pouco por toda a província e que dá cabo de sementeiras, colheita e armazenamento.

Ouvimos, cabe-me esclarecer, é termo que emprego como força de expressão. Apanhámos uma notícia ou outra em rodapé, a correr, por entre relatos em directo e entrevistas em diferido a banhistas impantes de felicidade acéfala, adoradores do ritual chinelante e das intermináveis – e pouco verde-fiscais – filas de automóveis promotoras de alguns exemplos antológicos, e quiçá exportáveis, da hospitalidade Portuguesa. 

Também nos hipermercados, verdadeiros pratos de Petri para a gripe e direitos adquiridos cuja adequação ou salubridade hoje ninguém ousa questionar, ali se congregando em magotes como enxames de varejeiras sobre qualquer paul infecto, se está muito bem com este calor. Ainda hoje entrei num, em Setúbal, e havendo três lugares de entre os quais escolher, arrumei o carro no que deixava mais espaço para os eventuais turistas que me sucedessem na chegada. 

Quando regresso carregado com as minhas compras, acondicionadas dentro de sacos plásticos em quantidade suficiente para causar uma apoplexia ao imberbe reeducador que pretende passar por Secretário de Estado, constato que tenho a frente do carro bloqueada por outra viatura, estacionada na perpendicular em plena faixa de rodagem. 

Decorridos pacientes vinte minutos, surge por entre o betão um rapaz magro, com ar sério (possivelmente um trabalhador das finanças, agora elevado ao estatuto de juiz, juri, e carrasco a quem deixa de ser possível mandar para o caralho sem que sejamos logo presos) e camisa às riscas, que num só acto de prestidigitação abre o carro, salta la para dentro, e diz “desculpláóamigquistojetaimpssivelenavialugarnenhum”.

Conduzi dentro dos limites de velocidade até casa e agradeci a Deus por não me ter dado ainda, que eu saiba, nenhuma doença terminal que me impelisse por desespero e indiferença a enfiar duas lambadas no focinho daquele imbecil.

 

Gandhi, Zeinal e o fantasma do mercado futuro

Vi um mentecapto na RTP2, única estação que vejo por já ter há cerca de dois anos prescindido de televisão paga, à beira de propor, horrorizado pela “quebra brutal no valor da PT”, que caíra 29% em bolsa até meio do dia de ontem, mas foi prontamente “salva”, até fechar a menos dez ou quinze por cento, pela intervenção dos compradores de serviço a soldo dos bancos centrais, porque, e cito, “vale certamente mais do que esta cotação – porque tem uma facturação muito interessante”: que se proíba, de todo, vender seja o que for. Passa a poder apenas comprar-se. 

Só se pode comprar. Não se pode shortar, a liquidez cai do Céu, onde mora o Rei D. Carlos que foi morto por muito menos, e não se pode dizer não, tem é de se regular, banir, normalizar, dizer sim, não olhar, acreditar.

O socialismo em Portugal atinge níveis que ensombram a Coreia do Norte no tempo do Avô Kim. Aliás, basta que googlem “constitution” + “socialism”, e confirmarão que não estou, ainda, totalmente louco.

A culpa não é do círculo interno, do sanctum sanctorum, feito dos pulhas consanguíneos de 1974. A culpa, irmãos, rebanho, é dos mercados. Não vejam, creiam. Não vendam, comprem. 

Cada vez mais, John Carpenter afirma-se como um realizador visionário.

 

 

Um filme

“Gone Girl”, de David Fincher. A América pós-Quatro de Julho, ou da rendição voluntária ao protoplasma homuncular que “todos” descobrimos um dia em nós próprios. 9/10

 

Um álbum

“Nothing’s Shocking”, dos Jane’s Addiction. Banda sonora para este Verão Índio. 8/10.

 

 

Publicado em Uncategorized

Do sindicalismo indígena

Arménio Carlos quer os utentes do Metro de Lisboa a apoiar a greve dos trabalhadores daquele que é um dos principais meios de transporte para milhares de pessoas que vivem e/ou trabalham em Lisboa. Uma greve que, diz o líder da CGTP, é em defesa do serviço público, para logo de seguida falar na falta de aumentos salariais e nos cortes que os trabalhadores do Metro sofreram nos complementos de reforma, como se a esmagadora maioria das pessoas não estivesse a ser afectada pela crise, em muitos casos de forma bem mais gravosa.

 

É caso para perguntar a Arménio Carlos se ser sindicalista implica ser estúpido. Será que ainda não percebeu que não vão obter o apoio de quaisquer utentes, que estes anseiam precisamente pela privatização do Metro e que quanto mais greves ocorrerem mais se reforça a legitimidade e a necessidade de acelerar o processo de privatização?

 

Esta é uma luta que os sindicalistas habituados a tornar a sociedade refém das suas reivindicações – egoístas e despropositadas na conjuntura em que vivemos – vão perder, mais cedo ou mais tarde. Felizmente.

Publicado em Sem categoria | Tags , , , ,
« Older posts

© 2026 Estado Sentido

Theme by Anders NorenUp ↑