Miguel Castelo-Branco, A União Europeia, epifenómeno da independência escocesa:
Aquilo a que se assiste na Escócia e na Catalunha, mas igualmente na Bélgica, na Córsega e em Itália é – aceitemos de barato – uma prodigiosa obra de engenharia que visa partir os Estados existentes, desagregá-los para, sobre os cacos, inventar a unidade e decretar a cidadania europeia. Só não vê quem não quer. Lamento que no PSD, no CDS e no PS ninguém se atreva questionar os respectivos líderes sobre o problema e que o debate sobre o lugar e o papel de Portugal na Europa não tenha lugar nas “universidades de verão” que tais partidos têm vindo o organizar neste fim de estação. No fundo, entre a mentira de uns e a cobardia de todos, o resultado é o mesmo: são todos cúmplices na destruição da nação portuguesa. Se amanhã o Algarve, a Madeira ou os Açores exigirem a tal “especificidade”, já sabem. Depois não se queixem.
Tenho muita dificuldade, imensa mesmo, em perceber como se destrói algo que não existe.
“O rei vai nu”, grito eu.
Caro Nuno, a especificidade da Escócia parece-me evidente, de Kosovos e outros tais talvez discorde, o caso Escocês admito é diferente. De qualquer forma não são só linhas que definem as nações e sinceramente também não vejo numa altura destas que vantagem para a Escócia trará a independência… afinal eles não são Ingleses, mas Britânicos e nessa comunidade já estão inseridos e com plenos direitos. Não sei é complicado… eles saberão o que querem.
Cumprimentos
Miguel Oliveira
Precisamente, é o que aqui tem sido dito desde há anos. O processo teve início ainda antes da formal constituição da U.E., aproveitando os ódios decorrentes da ocupação soviética da Europa central e evidentemente, os assuntos mal resolvidos das fronteiras de st. Germain e Trianon: o inevitável fim da ficção checoslovaca e da Jugoslávia, foram os precedentes logo seguidos pela invenção de uma territorialmente grandiosa Ucrânia, pela Moldávia e Bielorússia.
O processo de desintegração dos Estados comporta várias etapas, destacando-se os acordos destinados à gradual perda de soberania e concentração de poderes no centro de decisão “europeu”. Depois veio o Euro, o dilúvio de normas que padronizam a vida de povos tão parecidos como os letões e os portugueses, algo que veio a promover o encanto da máquina burocrática de Bruxelas-Estrasburgo.
Passaram então à promoção de campanhas de desestabilização interna das instituições de alguns dos principais países europeus, desde os ataques às monarquias – belga, luxemburguesa, espanhola e britânica -, até à nomeação de governos “de confiança” da C.E., dos quais o Sr. Draghi é apenas um exemplo.
Um Não no referendo escocês, além de constituir uma preciosa garantia da força de resistência britânica -os nosos apesar de tudo mais fiáveis aliados, lembram-se? – nesta Europa, será um claro revés para Bruxelas. É que a seguir teremos a Catalunha, provavelmente sucedida pelos bascos e início dos sarilhos italianos, franceses, flamengos, etc.
Quando a “coisa” chegar à Catalunha em Novembro, já é connosco em todos os sentidos. No dia seguinte à partição da Espanha recomeçará o processo político pela reunificação de toda a península. E aí, sem contrapesos além mar, chegará ao fim a aventura.
Duarte