Com os recentes acontecimentos no BES, além da queda do império da família Espírito Santo, cai a chefia de uma estrutura de poder alicerçada na promiscuidade entre a política e os negócios. Depois da notável solução ontem anunciada pelo Governador do Banco de Portugal – e partilho a opinião de José Manuel Fernandes quanto ao protagonismo do Banco de Portugal em lugar do Governo, sendo as críticas de certa extrema-esquerda a este respeito sintomáticas da desorientação que grassa em algumas cabeças, em particular a de Catarina Martins -, cujos pressupostos são os que deveriam ter presidido a todos os resgates de bancos desde o início da crise, se tudo correr pelo melhor, a economia nacional sairá reforçada. Mas talvez valha a pena lembrar que não é por acaso que Ricardo Salgado era apodado de Dono Disto Tudo. Seria particularmente saudável para a nossa democracia que em vez de se substituir o dono, se dispersasse o poder que até agora se encontrava concentrado nas mãos de uns poucos e se procurasse minorar a promiscuidade entre a política e os negócios. Afinal, segundo Plínio, “inventámos a política para deixarmos de ter um dono.”