Nobody expects the Spanish Inquisition

Desta vez apanharam-me de surpresa com a notícia.

 

Então não é que a ASAE, esse braço armado da Moral e Bons Costumes, surpreendeu um grupo de homens livres, numa propriedade privada e de acesso restrito, em pleno ilícito e quiçá ofensa ao ambiente, à economia, à saúde pública e ao Corão do socialismo?

 

Estavam a jogar Poker. É ilegal jogar poker, em casa, entre amigos, em Portugal. 

 

Autuou, coimou, registou, selou e lacrou, até deve ter apreendido o baralho de cartas, e houve muita alegria, sem mais jogo, sal, tabaco, álcool, e outras máculas da virtude. Tudo normal na teocracia comunitária.

 

Depois estranham haver quem diga que melhor fariam indo todos bardamerda. 

 

 

 

 

6 Comments

  1. Vítor

    Bem se vê que não queria formar opinião. Ela já está formada há muito.
    Não é “ilegal jogar poker, em casa, entre amigos, em Portugal”. Não.
    O que é ilegal é explorar jogos ilícitos de fortuna ou azar fora dos locais autorizados. Em estabelecimentos comerciais, o jogo ilícito dá lucro ao dono do estabelecimento. Ou julga que é algum benemérito?
    Entre o legislador que fez a lei e o tribunal que julga, V/ resolve cascar na polícia (podia ter sido a GNR ou PSP que fazem centenas de casos destes).
    Faz ideia de quantos estoiram o parco orçamento familiar no jogo ilícito?
    Faz ideia das autênticas mafias que giram à volta do jogo ilícito, com territórios perfeitamente demarcados e advogados pagos a peso de ouro?
    Considerando o que consta do seu comentário, parece-me que anda desfasado da realidade

    • Armindo Matos

      A questão é que é de facto ilegal jogar poker em casa. E um café de aldeia é em casa.

    • Fernando Melro dos Santos

      O orçamento familiar, que é da minha família, posso estoirar onde quiser ou apenas onde o Estado deixa? E em férias num resort repleto da fina xungaria inglesa, em Cancun, posso? E em putas? E em leite gordo? E em totolotos? 

      E um ilícito deixa de ter carácter reprovável se praticado num local sancionado, isto é, haverá segundo o Vitor ex-ilicitos que tornam aceitavel dar cabo do orçamento familiar, sem duvida gerido por mafias autorizadas. 

      Percebi bem a realidade?

      • Vítor

        Pode estoirar o orçamento familiar onde quiser. Todavia, o Estado não acha bem que (exceptuando os concessionários do jogo/casinos) um qualquer dono de café ou de casino ilegal, explore sem licença, sem pagar impostos e sem remeter à Santa Casa e Turismo de Portugal, os rendimentos dos jogos de fortuna ou azar. Pelo menos foi assim que pensaram (DL 422/89 – Lei do Jogo) Cavaco Silva, Miguel Cadilhe, Rocha Vieira, Silva Peneda, etc. Outros tempos…
        E é verdade: há condutas que são ilícitas se estivermos num determinado local, e perfeitamente lícitas se estivermos noutro. Fumar, estacionar, buzinar, etc. É a vida…
        Podemos discutir a necessidade de rever a lei do jogo (está para breve, ao que parece e ainda bem). Mas quem conhece o meio sabe que, a exemplo do que se passa com o tabaco e álcool de contrabando, o jogo ilícito move milhões. E, onde há milhões, o Estado quer ir buscar o seu quinhão.
        Apenas fiz um comentário ao seu post porque me pareceu toldado por alguma demagogia já habitual quando se fala da ASAE, num caso em que apenas se fez cumprir a lei.
        Pior do que a legislação absurda é ouvir muitos papagaios que estiveram na génese dessa mesma legislação a vociferar contra as polícias (em particular a ASAE) que a fazem cumprir. Isso é que já mete nojo aos cães. Ou será que isto de legislar é só para encher diários da república de patacoadas, enquanto os inspectores são pagos para polir crachás?

        • Fernando Melro dos Santos

          VItor, fez bem, a meu ver , em ter comentado. Rapidamente se conclui das nossas sumárias intervenções que há uma fenda abissal, intransponível,  entre elas, e que é tão bem iconizada logo na primeira frase desta sua ultima resposta: “Pode estoirar o orçamento familiar onde quiser. / Todavia, o Estado não acha bem”. 


          É aqui que radicam todos os males deste país, na ciclicidade viciosa entre as acções de um Estado que tudo acha sobre todos os assuntos (porque lho permitiram, em sede de sufrágio ao longo de décadas, com medo da livre iniciativa e com fome das migalhas que cairiam) e um eleitorado cobarde, o qual vendo o resultado pratico da asneira feita à enesima iteração (a reeleicao ad nauseam de um escol de incompetentes extraidos de onde nao podem emergir foras-de-série) opta por reagir em cima do joelho. 


          Isto é: porque é que eu fujo a tantos impostos quanto puder? Primeiro, porque sei onde vai parar o dinheiro assim taxado, e nao é decerto a escolas nem hospitais. Segundo, porque a muitos desses impostos e regulamentos nao cabe a Estado algum impor, por serem da alçada pessoal de cada cidadão ou associação de cidadões. E finalmente, por conhecer bem a oligo-mentalidade do português, funcionário ou não da máquina esbulhante, cuja prevalencia anula por defeito qualquer esforço, por mais herculeo, no sentido de modernizar Portugal.


          Não é com Estado. É sem ele. 

          • Fernando Melro dos Santos

            (cidadões forma três plurais, já agora. como aldeões, pode acabar em aos ,aes e oes. acho eu… mas a esta hora da manhã posso estar enganado)

Deixe um comentário

© 2026 Estado Sentido

Theme by Anders NorenUp ↑