Mês: Junho 2014 (Page 1 of 12)

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Comentário do dia no ZeroHedge. Aplica-se à Argentina, mas a bota é eurocompatível, pública e privada. Que como todos sabemos, segundo certas Constituições, é tendencialmente o mesmo. 

“Why is a creditor a vulture? The Argies borrowed the money, the Argies wasted the money and now the Argies owe the money. It isn’t an odious debt as the money was borrowed by populist governments that had been elected by morons to spread the skittles around. Now it is time for socialists to pay the piper.”

 

 

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António Costa e o concílio do Rato

Nunca fui de me apoiar no paizinho, de me servir de pergaminhos familiares para avançar as minhas causas. Aliás, a ruptura talvez me caracterize com maior precisão. No entanto, não sou político e porventura não saberei apreciar o valor da tradição, a importância dos anciões, o respeitinho pelos progenitores. Acho triste que o jovem António Costa se tenha de servir dos fundadores do Partido Socialista (PS) para validar as suas aspirações. O que dista entre o acervo socialista original e aquilo em que o mesmo se transformou é assinalável e nem sempre positivo. Mas este processo de aprovação faz parte de uma matriz comportamental mais ampla. Faz parte de um alegado juízo conservador, de um conceito museológico, que atribui grande importância ao legado, ao passado. Embora o incentivo dos fundadores do PS possa servir a agenda interna de Costa e arrumar com o desreferenciado António José Seguro, a verdade é que é apenas algo que se passa no quintal do Rato. Mais valente e imortal seria se Costa angariasse os seus apoios numa colecta independente de filiações partidárias, da disciplina ideológica, dos da casa. A maioria absoluta com que sonha para governar é uma contradição genética. O pantano em que os socialistas se encontram poderia servir para refundar a expressão do partido sem comprometer os seus valores basilares. Os socialistas cometem o mesmo erro de sempre. Procuram renascer das cinzas, mas praticam a consanguinidade partidária; cruzam-se entre si para reproduzir velhas máximas e dar à luz conhecidas fórmulas. O PS teve muitas oportunidades, mas não soube criar um departamento de R&D (research and development) para integrar soluções excêntricas disponíveis em todo o espectro ideológico. O PS poderia centrar a sua acção na cidadania e no magistério civil, mas prefere invocar a sua superioridade moral, a paternidade da democracia portuguesa que viu nascer, e que em grande medida foi traída pela acção de alguns dos seus governos da república.

O sol a pino e eu faço uma revolução

Estaciona o carro importado, depois das compras no centro comercial, e entra no apartamento mal construído por um empreiteiro qualquer. Liga o LCD, experimenta os canais nacionais e suspira. Opta por um canal do cabo. Americano, de preferência. Morre de tédio. Percorre as aplicações no Iphone. Nada lhe serve. Liga o portátil comprado a uma multinacional qualquer. Abre o Facebook, carrega vídeos no Youtube e escreve no Twitter: “Abaixo o capitalismo.” É uma criatura adorável. São criaturas adoráveis.

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Francisco Fernando e Sofia

O arquiduque Francisco Fernando era uma personalidade pouco estimada numa Viena muito ciosa do status quo instaurado pelo Compromisso austro-húngaro de 1867. Detestado pelos mais acérrimos nacionalistas austro-alemães e húngaros, o indigitado sucessor do Kaiser Francisco José I representava a inevitabilidade de profundas modificações na estrutura do grande império da Europa central. Julgava imperioso conceder um estatuto paritário aos eslavos da dupla Monarquia e mesmo na sua vida pessoal, desafiara abertamente as regras dinásticas, casando-se com Sofia Chotek, uma aristocrata checa.

 

A visita a Sarajevo consistia num daqueles rotineiros acontecimentos que marcavam o exercício da soberania. Bem ao contrário daquilo que os mais eslavófilos querem fazer crer, aquele mortal inimigo  que não desejavam ver no trono da Áustria-Húngria, consistia num não menos mortal perigo para as ambições expansionistas dos radicais nacionalistas sérvios que viriam a tornar-se tristemente célebres ao longo de todo o século XX. Em Viena não existia então qualquer dúvida quanto às profundas ligações entre a organização terrorista Narodna Obrana e os mais altos responsáveis pela estrutura militar do Reino da Sérvia, daí a imediata responsabilização do atentado que as autoridades austro-húngaras apontaram ao governo de Belgrado. 

 

Os magnicidas têm sempre garantidos admiradores.

 

Esta manhã, os nostálgicos da terrorista Narodna Obrana – a correspondente à Carbonária que por cá tivemos – inauguraram uma estátua a Gavrilo Princip, num daqueles actos de evidente homenagem ao aborto estatal que durante algumas décadas se chamou Jugoslávia. Cada um tem o Buíça que merece e se o do extremo ocidental europeu abriria o caminho a uma república sangrenta e inepta, a uma longa ditadura e às consequências que conhecemos e ainda sofremos, quanto ao balcânico Gavrilo, ete  bem pode ser considerado como a espoleta da granada que transformou a Europa num destruidor inferno. Aqueles tiros desferidos na manhã de 28 de Junho de 1914, soaram a dobre de finados do Velho Continente. 

 

Como dizia hoje um indignado habitante de Serajevo a repórteres da televisão, os Balcãs continuarão a ser aquilo que sempre foram, um violento tugúrio de loucos. Por outras palavras, nem todos estão dispostos a uma reedição de velhos erros.

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Da profundidade (e)leitoral (II)

Para ser médico é preciso um curso de Medicina. Fascismo. Se não fosse preciso teríamos muitos mais médicos.

 

Para ser escritor é preciso saber escrever e fazê-lo sobre aquilo que interessa. Fascismo. Se se vendessem livros sobre tudo escritos por todos, teríamos muitos mais escritores.

 

Para ser político…. Ah esperem, esta não.

 

Para ingressar no ensino superior é necessária uma média – hoje irrazoavelmente baixa, mas ainda assim necessária (e a meu ver, deviam ser exigidos outros requisitos, tal como para a carreira docente) e também isto, num país europeu em pleno século XXI, é fascismo. Se todos entrassem, com qualquer média, de borla e sem requisitos para a universidade, teríamos muitos mais quê? 

 

Isso. Digam em coro. Desempregados. Frustrados. Chocadinhos com a vida. Militantes do BE. Querubins social-desenraizados.

 

Se calhar, é pá, não me digam que tropecei em qualquer coisa. Não pode ser. Toda a gente sabe que a esquerda defende o trabalho. 

 

Pena é não haver partidos de direita, em Portugal, por lhes serem avessos a Constituição, a população activa e Mário Soares. 

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Da profundidade (e)leitoral

(em actualização)

 

Jornais, quase todos, noticiam em tom de denúncia tocha-e-forquilha que a questão 5.2 do exame de Matemática continha um limite “que só se pode calcular na universidade”. 

 

E pronto, assim. 

 

O resto é o espelho das urnas. Uma escassez confrangedora de interesse pelas camadas menos evidentes da actualidade, a raiva odiosa e escarninha a quem sobressai da mediocridade ou critica a ração que brota das manjedouras comunitárias, e a redundância, sempre a redundância.

 

Haverá alguma razão genética para que esta gente seja assim, crédula, manipulável, mesquinha, pequena, desinteressante, desinteressada, e tão perigosamente habilitada a direitos sem escrutínio?

 

O que a turba quer é que lhes sejam dados a apontar fascistas. “Empresas” por nomear que não deixam que mulheres suas colaboradoras engravidem. Empresários fascistas. “Limites” por particularizar num exame que causaram uma quebra de açúcar no sangue da Serafina. Crato fascista. “Cortes” em apoios e subsídios que nunca deviam ter sido concedidos, e só o foram para caçar votos. Passos fascista. 

 

Os únicos fascistas (isto é quase como pedir a uma vara de porcos que grunha em latim) que por cá andam são vocês, amigos, que no lugar daqueles a quem criticam transformariam, de acordo com o velho adágio de Alberto Pimenta*, o que resta do país em cacos ainda mais fininhos. 

 

 

* “o sonho do pequeno filho da puta é ser um grande filho da puta”

 

 

 

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E quando fores trabalhar, dondoquinha?

“As dificuldades foram tantas que Marta Jorge, 18 anos, teve uma crise de ansiedade. “Cheguei à sala, comecei a olhar para a prova e a pensar que não conseguia fazer nada. Desatei a chorar e fiquei sem forças. Tive de vir cá fora beber água com açúcar. Estive não sei quanto tempo cá fora a acalmar-me”, conta, no final do exame, já mais aliviada. Afinal não precisa da nota para entrar no ensino superior.”

 

Flores de estufa, querubins, amorfos, paparicados de merda. Paizinhos de repartição pública, mãezinhas de SUV, famílias moderníssimas. Napalm, como alguém dizia há dias.

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