Tomei parte na ‘praxe’, na sua modalidade mais mitigada que existia na Faculdade de Direito de Lisboa. Houve pinturas corporais e mistelas invulgares. Houve também copos e firmaram-se boas amizades. Mas isso foi o meu caso – os relatos que vêm doutras Faculdades revelam práticas um pouco mais extremas, que chegam ao ponto de implicar interacção entre pessoas e dejectos animais. Não farei uma análise sociológica da prática, pela qual nutro sentimentos ambivalentes – é simultaneamente algo sintomático da nossa cultura do ‘respeitinho’ do ‘shotôr’ e de reverência e uma boa forma de fazer amigos quando se é confrontado com um ambiente novo (especialmente para quem não é da cidade onde estuda), acabando por desaguar em semanas agradáveis de copos e diversão. Neste meu curto comentário, só queria fazer um comentário preventivo – há toda uma tempestade mediática e sensacionalista em torno desta questão – por favor não a transformem numa questão política e não comecem a dizer – ah e tal, vamos proibir impôr limites jurídicos à realização de praxes. Chega, é como a tourada – uma não-questão. Quem anda à chuva, molha-se.