Pacheco Pereira diz que “o senhor secretário de Estado Pedro Lomba não faz a mínima ideia do que foi o 25 de Abril.” Pacheco, arauto da liberdade, estandarte da democracia, porém, sabe. Ele esteve lá. Esteve lá algures. Na luta anti-fascista pré-revolucionária, no PCP-ML. Na luta democrática durante o reinado de Cavaco Silva, de braço dado com Duarte Lima e Dias Loureiro. Pacheco, o democrata, o defensor das liberdades, que esteve ao lado de Barbosa de Melo, em 1993, ano em que o 25 de Abril não foi devidamente comemorado na Assembleia da República, na sequência de leis da rolha pachequistas e do respectivo boicote dos jornalistas ao parlamento. Pacheco não aceita que lhe roubem a euforia revolucionária, marxista, leninista, mais tarde maoísta e mais tarde ainda cavaquista, do 25 de Abril. O 25 de Abril é dele. É dos dele. Dos que, como ele, vieram das esquerdas, das catacumbas revolucionárias, de punho erguido e peito inchado. Este governo, como se sabe, não conta com o apoio do Pacheco, voz da moral e da razão. E o governo está, obviamente, a violar Abril a sangue frio.

Francisco Assis aproveitou e seguiu o caminho apontado pelo dedo do Pacheco. Escolheu a forma mais ignorante. A mais básica. Assis escreve com os pés e pensa com os tornozelos. A culpa não é dele, mas assim é – e assim será. Deu o braço ao Pacheco e ali foram ambos, estrada fora, dando vivas à propriedade do 25 de Abril. Os dois, os heróis da liberdade. O Pacheco que em 1993 brincava às rolhas e o Assis que entre 2005 e 2011 (reinado de Sócrates, o maior defensor das liberdades, sobretudo a de expressão) esteve, com certeza, mentalmente hibernado.

São como o algodão, de facto. Não enganam. Eles esforçam-se. Mas não enganam.