Eu percebo que não seja fácil falar sobre a Europa. Sobre o que queremos que a União Europeia seja, que poderes queremos que tenha, que instituições devem subsistir ou não, se queremos mais ou menos integração política, que destino terá o euro e por aí fora. Não é fácil, de facto. Menos fácil se torna quando os candidatos ao Parlamento Europeu anunciados até agora concordam, na essência, na maioria das questões europeias. É, portanto, mais fácil discutir o sexo dos anjos, os manifestos da brigada do reumático ou… os 101 Dálmatas. Ninguém quer discutir a Europa. Uns porque não sabem o que pensar sobre ela, outros porque não querem que se saiba o que querem que ela seja. Estes últimos, os federalistas, continuam a levar por diante a dura tarefa dos últimos 50 anos: com paninhos quentes, contra a vontade popular ou sem querer saber dela, fazendo por aumentar a relevância e o poder da União Europeia nos Estados, recorrendo à burocracia e à regulamentação. A utopia crescerá como até agora. Fazendo crer que a moeda única é só instrumento para circularmos à vontade por essa Europa fora. Alimentando, no fundo, os sonhos de Hitler, Napoleão e César. Construindo um império de mansinho. Eu percebo que ninguém queira discutir a sério a Europa. É mais simples se as taxas de abstenção se mantiverem altas e se continuarmos a navegar na espuma dos dias e nos tweets do Paulo Rangel. Dizem que cada um tem o que merece. Caramba, eu não mereço isto.