A respeito do problema da natalidade ou na prática a teoria é outra

A recomendação quanto à demissão do governo é desprovida de sentido, e a verdade é que o problema da natalidade em Portugal é muito mais grave e estrutural do que meramente resultado das políticas do actual governo. Todavia, Jerónimo de Sousa tem razão no diagnóstico

 

De há vários anos e governos a esta parte que parecemos viver duas realidades diferentes no que concerne a esta questão, em que os governantes proclamam querer incentivar a natalidade, mas as suas políticas e acções, que são o que realmente importa, vão no sentido precisamente contrário. O mesmo é dizer que na prática a teoria é outra, ilustrada pelo líder comunista: 

 

Jerónimo de Sousa disse ainda que “não há defesa da maternidade e da paternidade nas políticas laborais que comprometem PS, PSD e CDS, quando se defende o aumento e a desregulação dos horários de trabalho e a intensificação dos ritmos de trabalho que impedem os trabalhadores de ter tempo para os seus filhos”.

 

O secretário-geral do PCP criticou ainda o que considerou ser “demagogia em torno da natalidade”.

 

“Quando se nega o direito às mulheres de decidirem o momento e o número de filhos que desejam ter, quando há discriminação das jovens no acesso ao trabalho por decidirem engravidar, quando existem pressões para que não gozem as licenças de maternidade e paternidade, quando faltam vagas em creches públicas e crescem no privado, quando se corta nos apoios sociais”

 

Se querem realmente incentivar a natalidade, para além da melhoria das condições a nível laboral e das creches, a melhor política será a diminuição da carga fiscal. Quando os níveis de IRS são o que sabemos e as deduções com despesas de educação e saúde foram reduzidas a praticamente nada, fica a dúvida sobre se muitos de nós não andarão a trabalhar para aquecer e se o estado não será já um filho que temos a nosso cargo. Nestas condições, ter filhos acaba por ser um acto quase heróico.

3 Comments

  1. Luis Moreira

    Mas não é por as cresches serem do privado que a natalidade reduz como diz Jerónimo…

  2. fruiar

    UMA ATITUDE DE JUSTIÇA E UMA ADAPTAÇÃO VÁLIDA: o Direito à Monoparentalidade em Sociedades Tradicionalmente Monogâmicas
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    – Nas Sociedades Tradicionalmente Poligâmicas apenas os machos mais fortes é que possuem filhos.
    – No entanto, para conseguirem sobreviver, muitas sociedades tiveram necessidade de mobilizar/motivar os machos mais fracos no sentido de eles se interessarem/lutarem pela preservação da sua Identidade!… De facto, analisando o Tabú-Sexo (nas Sociedades Tradicionalmente Monogâmicas) chegamos à conclusão de que o verdadeiro objectivo do Tabú-Sexo era proceder à integração social dos machos sexualmente mais fracos; Ver blog «http://tabusexo.blogspot.com/».
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    Concluindo:
    – Nas Sociedades Tradicionalmente Poligâmicas é natural que sejam apenas os machos mais fortes a terem filhos; no entanto, todavia, as Sociedades Tradicionalmente Monogâmicas têm de assumir a sua História: não podem continuar a tratar os machos sexualmente mais fracos como sendo o caixote do lixo da sociedade!… Assim sendo, nestas sociedades, deve ser possibilitada a existência de barrigas de aluguer para que os machos (de boa saúde) rejeitados pelas fêmeas, possam ter filhos!
    Mais:
    – As sociedades economicamente/tecnologicamente mais evoluídas… são Sociedades Tradicionalmente Monogâmicas… o que, por sua vez, ajuda a legitimar o seguinte: criar condições para que machos (de boa saúde) – que embora sejam considerados ‘descartáveis’ segundo critérios das sociedades tradicionalmente poligâmicas – também possam ter filhos… é uma adaptação (na luta pela sobrevivência) válida!
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    P.S.
    Existem muitos homens sem filhos [‘por isto ou por aquilo’ não agradam ás mulheres; adiante] que devidamente motivados/acompanhados… poderiam ser óptimos pais solteiros!!!
    A ausência de tal motivação/acompanhamento não só é uma MÁ GESTÃO DOS RECURSOS HUMANOS da sociedade… como também, um INJUSTIÇA HISTÓRICA que está grassando nas Sociedades Tradicionalmente Monogâmicas.
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    É errado estar a dizer «a Europa precisa de crianças, não de homossexuais»… isto é, ou seja… a Europa precisa de pessoas (homossexuais e heterossexuais) com disponibilidade para criar crianças!
    É UMA MUDANÇA ESTRUTURAL HISTÓRICA DA SOCIEDADE: os homens poderão vir a ter filhos… sem repressão dos Direitos das mulheres; leia-se: o acesso a barrigas de aluguer.
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    Obs: Quando se fala em Direitos das crianças… há que ver o seguinte: muitas crianças (de boa saúde) hão-de querer ter a oportunidade de vir a ser pais… oportunidade essa que lhes é negada pela ‘via normal’.
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    P.S.2.
    Com o declínio do Tabú-Sexo (como seria de esperar) a percentagem de machos sem filhos aumentou imenso nas sociedades tradicionalmente monogâmicas.
    Mais, por um lado, muitas mulheres vão à procura de machos de maior competência sexual, nomeadamente, machos oriundos de sociedades tradicionalmente Poligâmicas [nestas sociedades apenas os machos mais fortes é que possuem filhos, logo, seleccionam e apuram a qualidade dos machos]… e… por outro lado, muitos machos das sociedades tradicionalmente monogâmicas vão à procura de fêmeas Economicamente Fragilizadas [mais ‘dóceis’] oriundas de outras sociedades… ora, todavia, no entanto, recusar este caminho… deve ser um legítimo Direito ao qual os machos devem ter acesso!

    F.R.A.R.

  3. Kruzes

    O irs até pode ser zero. O problema é a mentalidade. E, quanto a isso, nada há a fazer. Hoje as pessoas preferem viajar, não ter compromissos ou algo que as prenda. Quando muito arranjam um cão, que se começar a chatear muito, até podem abandonar.

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