Breves notas sobre a situação na Crimeia

1 – O Ocidente não aprendeu nada com a intervenção russa na Geórgia em 2008.

 

2 – Os ucranianos não aprenderam nada com a cobardia de europeus e norte-americanos que, na Geórgia e nos países varridos pela Primavera Árabe, depois de passarem anos a fazer promessas, a despejar dinheiro e a “promover a democracia” por via da subversão ideológica nas respectivas sociedades civis – com a melhor das intenções, note-se, sem quaisquer interesses geopolíticos e geoestratégicos subjacentes, claro, que isso é coisa que só os malvados russos e chineses têm -, quando, como se diz em estrangeiro, shit happens, ficam paralisados e/ou não sabem o que fazer e pura e simplesmente perdem o controlo da situação.

 

3 – Ainda assim, há, do lado de lá do Oceano Atlântico, quem queira responder militarmente à Rússia, coisa de que, como assinalou o Nuno Castelo-Branco, não se ouvia falar desde a crise dos mísseis de Cuba, e a NATO comprometeu-se com a Ucrânia, em 1997, a assegurar a independência, a soberania, a integridade territorial e a inviolabilidade das fronteiras do país. É mesmo disto que estamos a precisar, outra guerra na Europa.

4 Comments

  1. Anónimo

    A situação e a tensão, gravíssimas, que se pressentem e que aumentam dia após dia naqueles dois países (com os E.U. a concorrer grandemente para o facto, como sempre acontece em casos que tais) e o perigo que delas pode advir, são as que inteligentemente descreveu. Parabéns.
    ——
    Samuel, já sabe de que dados necessito para tratar do assunto de que lhe falei. Poderei utilizar os mesmos? E qual a urgência, se a houver? Diga-me por email quando puder, por favor.
    Maria

  2. invio labilidade?

    mas as fronteiras violam-se bolas adeviam ter posto mais curvas naquelas fronteiras traçadas a esquadro
    assim sã mesmo invioláveis

  3. João Pedro

    A Rússia também se comprometeu, nos mesmos acordos, a respeitar a integridade territorial da Ucrânia, coisa que se prepara para violar de maneira flagrante. De resto, já vi comparações com a ocupação da Checoslováquia, em 1938, com o pretexto das populações germânicas dos sudetas. Os erros do ocidente, alguns deles graves, não nos devem fazer esquecer que na Rússia ainda permanecem “tradições” herdadas da URSS, o que ajuda a compreender porque é que os povos da Europa central e de Leste, de um modo geral, querem distância dela.

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