A NATO na Crimeia?

Um artigo do ex-SACEUR da NATO que termina com uma série de sugestões interessantes. Mas a principal questão a colocar é por que razão deveremos entrar numa guerra com a Rússia por causa da Crimeia, uma região onde a esmagadora maioria da população é russa e onde se encontra a esquadra russa do Mar Negro? Argumentos a respeito da ingerência nos assuntos internos de terceiros, da inviolabilidade das fronteiras e da manutenção da integridade territorial dificilmente colhem, na medida em que o Ocidente também tem vindo a ingerir nos assuntos internos da Ucrânia e quando lhe é conveniente também promove a violação de fronteiras e da integridade territorial, como no caso do Kosovo. Também não é despiciendo salientar que a maioria da população da Crimeia é pró-russa e pró-Yanukovych, pelo que mais depressa prefere fazer parte da Rússia ou tornar-se independente do que integrar uma Ucrânia cujo futuro é uma incógnita. Mais, se durante a Guerra Fria a doutrina da Mutual Assured Destruction permitiu assegurar o equilíbrio geopolítico entre os dois bloco, tendo apenas ocorrido proxy wars, como é que alguém pode sequer equacionar seriamente a possibilidade suicida de entrar agora numa guerra directamente com a Rússia? 

 

Leitura complementar: Brincadeiras perigosasA “península” do TexasBreves notas sobre a situação na Crimeia

2 Comments

  1. Eduardo Freitas

    Muito bem!

  2. Nuno Castelo-Branco

    O tal almirante Stavridis deve ter enlouquecido. Ponto por ponto estabelece um dispositivo que pode única e exclusivamente significar uma coisa: guerra com a Rússia. 
    Se por absurdo esta se restringisse ao uso de meios convencionais, que meios teria a NATO para contrariar o exército russo naquela região? Os exércitos polaco e romeno? Ridículo. A Alemanha é uma caricatura de edifício militar, apesar de todas as sandices que se lêem aqui e ali. Enfim, o que em Washington pretendem, é subtrair aos russos os  corredores de passagem de energia em direcção ao ocidente e é precisamente isto o que temos vistos quanto à politica americana no Cáucaso e na Síria. Se pelo caminho puderem provocar a queda do regime de Putin, “melhor” ainda. A Crimeia como base naval da NATO? Pois sim…, já agora, porque não incitar os turcos a reivindicarem aquilo que em boa hora lhes foi arrebatado por Catarina II?

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