Isto é mais ou menos como o “a minha reforma de 10 mil euros não chega para as despesas” de Cavaco Silva. Num país com um custo de vida cada vez mais proibitivo, com impostos demasiado elevados e, especialmente, com tanta gente a auferir salários e reformas baixas,  a quem os efeitos das exportações e bons indicadores macroeconómicos ou chegam de forma ténue, ou não chegam de todo – por mais propaganda que o pensamento camilo-lourencista faça -, um Primeiro-Ministro não pode colocar-se ao mesmo nível daqueles que mais sofrem, mesmo que até sofresse como estes. Primeiro porque em Passos Coelho, que cultiva uma pose distanciada, soa a falso e a eleitoralismo. Segundo, e mais importante, porque é insultuoso para quem de facto é “pouco abonado”.