Mês: Fevereiro 2014 (Page 1 of 9)

Postas de pescada

A propósito  de um livro recentemente publicado, João Soares está na SIC Notícias a puxar pelos galões republicanos. E do que fala ele? De Nova Lisboa, vulgo Huambo, cidade “totalmente republicana”. O homem está deslumbrado com a obra portuguesa em Angola – aproveita para secundarizar Paiva Couceiro e “outros” – ,  tece loas ao que foi construído e recorda Norton de Matos, um bom republicano, sem dúvida, mas a antítese daquilo  que republicanismo soarista sempre significou. 

 

Nova Lisboa é a Huambo que foi arrasada a tiro de canhão pelos camaradas de Soares. Camaradas de “lutas” como o MPLA – aliás, seu colega na Internacional Socialista – e camaradas de “boas causas” como a UNITA, cujo chefe era seu compadre. Não esquecer os bons ofícios destrutivos de alguns camaradas ainda bem próximos, colegas de partido e camaradíssimos por apertados laços de sangue. 

Nova Lisboa foi destruída e vai sendo lentamente reconstruída. Um escusado desastre em nome de quê e para quê? Onde está a azáfama económica  de há quarenta anos? O que aconteceu ao Caminho de Ferro de Benguela e em que estado se encontram as suas outrora colossais e moderníssimas oficinas? O que sucedeu às escolas, hospitais, postos médicos, armazéns, fazendas e toda uma série de infra-estruturas que faziam da Angola de 1973, um exemplo de progresso sustentável?

 

João Soares pode despejar as postas de pescada onde quiser, mas não convence nem o mais distraído. Haja um mínimo de pudor. 

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Quem dá a cara merece ser elogiado

Podia estar acomodado, calado e insensível. Prestígio internacional não lhe falta. Tampouco experiência em grandes combates. Hoje deu corajosamente a cara por mais um. Aquele que marcou, de forma triste, a sua vida parlamentar de mais de 24 anos, sempre eleito e reeleito pela população portuguesa, e pelo Algarve em particular. Na hora em que muitos, de forma cobarde, se esconderam debaixo da tradicional disciplina da voto, José Mendes Bota soube interpretar o sentir de um Povo que rejeita uma escolha política que não sufragou e com que não concorda e tudo fez para que a mesma não tivesse lugar. Merece o nosso aplauso pela luta sem fim que protagonizou juntamente com todos quantos se erguem de forma firme contra o Acordo. Um abraço José. E obrigado.

 

Declaração de voto do Deputado Mendes Bota a propósito da votação dos Projectos de Resolução nºs 890/XII/3ª (Ribeiro e Castro e outros) que “recomenda ao Governo a criação urgente de um Grupo de Trabalho sobre a Aplicação do Acordo Ortográfico”),965/XII/3ª (PCP) que “recomenda a criação do Instituto Português da Língua, a renegociação das bases e termos do Acordo Ortográfico ou a desvinculação de Portugal desse Acordo) e 966/XII/3ª (BE) que “recomenda a revisão do Acordo Ortográfico”

Plenário da Assembleia da República, 28 de Fevereiro de 2014

“TENHO 24 ANOS DE ACTIVIDADE PARLAMENTAR – E HOJE, É PROVAVELMENTE O DIA MAIS TRISTE DESSE PERCURSO, EM QUE SENTI À EVIDÊNCIA A IMPOTÊNCIA DO DEPUTADO INDIVIDUALMENTE CONSIDERADO.
ESTA FOI UMA OPORTUNIDADE PERDIDA PARA COLOCAR UM TRAVÃO, UMA SUSPENSÃO PARA PENSAR, NUM PROCESSO QUE ESTÁ A CONDUZIR À DESTRUIÇÃO DA LÍNGUA PORTUGUESA, E A SEMEAR O CAOS ORTOGRÁFICO JUNTO DO POVO PORTUGUÊS.
ESTE É UM PROCESSO EIVADO DE INCONSTITUCIONALIDADES ORGÂNICAS E FORMAIS.
HOUVE UM PRESSUPOSTO QUE NÃO SE VERIFICOU: AO CONTRÁRIO DO QUE SE JULGAVA, ESTE ACORDO NÃO UNIFICA ORTOGRAFICAMENTE A LÍNGUA PORTUGUESA, ANTES PELO CONTRÁRIO. A QUESTÃO DAS CONSOANTES MUDAS, A QUESTÃO DOS HÍFENES, O CRITÉRIO DAS FACULTATIVIDADES, O CRITÉRIO DA PRONÚNCIA, E A FORMA COMO FUNCIONAM OS INSTRUMENTOS DO VOP E DO LINCE, DESTROEM PELA BASE O PRESSUPOSTO INICIAL. DESUNIFICA-SE EM VEZ DE UNIR.
POLITICAMENTE, PORTUGAL CORRE O RISCO ABSURDO DE CHEGAR AO INÍCIO DE 2016 E SER O ÚNICO PAÍS A APLICAR OBRIGATORIAMENTE UMA ORTOGRAFIA QUE NEM SEQUER ERA A SUA.
ESTE É UM ACORDO FEITO À MARGEM DOS POVOS A QUE SE DESTINA,QUE NÃO FOI PEDIDO, NEM É DESEJADO, SEJA EM DILI, EM LUANDA, EM LISBOA OU EM S. PAULO.
NEM É NECESSÁRIO. A LÍNGUA INGLESA TEM 20 VARIANTES, E NUNCA PRECISOU DE UM TRATADO. TAMPOUCO O FRANCÊS, QUE TEM 15 VARIANTES. COMO DISSE ADRIANO MOREIRA: “A LÍNGUA NÃO OBEDECE AOS TRATADOS. NÃO SE DÃO ORDENS À LÍNGUA”.
FIZ TUDO O QUE ESTAVA AO MEU ALCANCE PARA QUE O MEU GRUPO PARLAMENTAR TIVESSE UMA POSIÇÃO DIFERENTE, PROPUS UM PROJECTO DE RESOLUÇÃO CLARAMENTE NO SENTIDO DA SUSPENSÃO DA APLICAÇÃO DO ACORDO ORTOGRÁFICO, MAS A DECISÃO FOI OUTRA – TENHO QUE RESPEITAR ESTA DECISÃO, MAS ESSE RESPEITO NÃO ME OBRIGA AO SILÊNCIO, ESTOU NUM PARTIDO DEMOCRÁTICO.
SEGUIU-SE EM PORTUGAL A ESTRATÉGIA DO FACTO CONSUMADO – PERDÃO! EU DISSE “FACTO”? ERRADO! É A ESTRATÉGIA DO “FATO” CONSUMADO, POIS TENHO UM “LINCE”ÀS COSTAS, QUAL PATRULHEIRO DAS PALAVRAS, QUE NÃO ME DEIXA FALAR EM BOM PORTUGUÊS.
A SOLUÇÃO HOJE AQUI APROVADA É O MÍNIMO DOS MÍNIMOS DOS MÍNIMOS, É UMA SOLUÇÃO FRACA, NÃO VINCULATIVA, E QUE NADA FARÁ PARA INVERTER O RUMO TRAÇADO POR ESTE ESTRANHO CONSENSO POLÍTICO RENDIDO ÀS CONVENIÊNCIAS ECONÓMICAS, DIPLOMÁTICAS E OPERACIONAIS.
UM DEPUTADO DO PARTIDO SOCIALISTA FEZ HÁ DIAS CIRCULAR UM EMAIL ACUSANDO-ME DE ESTAR EQUIVOCADO. SOU UM SER HUMANO, E ADMITO QUE TAMBÉM ERRO, E TAMBÉM ME EQUIVOCO.
MAS, QUANDO OLHO À MINHA VOLTA E VEJO TANTAS PERSONALIDADES DA VIDA LITERÁRIA, CULTURAL, POLÍTICA, COM AS QUAIS PARTILHO A MESMA OPINIÃO, DE REJEIÇÃO DA APLICAÇÃO DESTE ACORDO ORTOGRÁFICO:
LOBO ANTUNES E AGUSTINA; ANTÓNIO BARRETO; PAULO RANGEL E FRANCISCO ASSIS;
MANUEL ALEGRE E BARBOSA DE MELO; ADRIANO MOREIRA E FREITAS DO AMARAL;
MARIA TERESA HORTA E JOSÉ MANUEL MENDES; MIGUEL SOUSA TAVARES E VASCO GRAÇA MOURA; PACHECO PEREIRA E NUNO MELO.
E IMENSOS LINGUISTAS COMO:
ANTÓNIO EMILIANO OU MARIA REGINA ROCHA;
E OS IMENSOS MILHARES DE SUBSCRITORES DA PETIÇÃO QUE HOJE VEIO À TONA DO DEBATE PARLAMENTAR, NÃO CREIO ESTAR EQUIVOCADO NA REJEIÇÃO DESTE ACORDO ORTOGRÁFICO. MAS, SE ESTIVER, ESTOU MUITO BEM ACOMPANHADO.”

 

 

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Sempre muito coerentes

 

 

Lenine era deus, Estaline era um santo, Trotsky um “agente germano-yankee-sionista” e anti-revolucionário. Iezhov, Béria, e Kruschev nunca existiram. O genocídio ucraniano é uma invenção fascista. O gulag era uma espécie de colónia de férias como as da FNAT. A União Soviética foi um modelo de fraternidade entre povos, a Alemanha-Pankow, a Hungria, Checoslóváquia, Polónia, Países Bálticos, Roménia, Bulgária, Jugoslávia e Albânia foram livres durante meio século. Cuba é uma democracia exemplar, Chávez e Maduro dois apóstolos da fé. Mugabe é um patriota, Pol Pot muito trabalhou e fez o que pôde pela liberdade, Samora era uma espécie de Madre Teresa e Ianukovich um injustiçado, pobre homem.

Confirma-se. Tal como o Sr. Bernardino garantia, a Coreia do Norte é uma democracia. Nada de a desestabilizar e vai daí, sai um finca-pé beneditino. 

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Uma decisão de lesa Pátria

(DES)ACORDO ORTOGRÁFICO – A votação de hoje na Assembleia da República da resolução apresentada por deputados do PSD/CDS-PP sobre a aplicação do Acordo Ortográfico terá sido o compromisso possível por parte da meia dúzia de deputados destas formações políticas com sentido de Estado mas o que está em causa é a decisão genérica do PSD, do PS e do CDS sobre o assunto, a qual devia envergonhar os representantes do povo português.
O grau de irresponsabilização e de irresponsabilidade dos deputados do “arco de governação” face ao que está em causa não deixará de ter consequências no futuro. Uma vez mais um enorme e profundo afastamento dos representantes do povo versus o sentir da população portuguesa!

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Sexta-feira

Let me tell you how it will be, there’s one for you, nineteen for me,
‘cause I’m the Taxman, yeah, I’m the Taxman. Should five per cent appear too small, be thankful I don’t take it all.
‘Cause I’m the Taxman, yeah, I’m the Taxman. (If you drive a car ), I’ll tax the street, (If you try to sit ), I’ll tax your seat, (If you get too cold ), I’ll tax the heat, (If you take a walk ), I’ll tax your feet. Now my advice for those who die, declare the pennies on your eyes, ‘cause I’m the Taxman, yeah, I’m the Taxman. And you’re working for no-one but me.
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A hora da obra de Portugal

A política não é uma ciência exacta, isso já nós sabemos. A política não existe para inventar a roda, também podemos confirmar. A actividade política deve, por isso, centrar-se na busca de soluções que já deram frutos. Nessa medida a cultura política vem mesmo a propósito. Especialmente em época de crises e convulsões, os lideres estão obrigados a vasculhar nos arquivos, a pesquisar o que decisores contemporâneos ou de outros tempos históricos fizeram. Não sei o que fazem os governantes nas suas horas vagas, mas poderiam aproveitar para observar o que fazem os outros. O caso de Portugal é enigmático. Não passaram tantos anos assim sobre o esplendor da obra pública, geradora de emprego e orgulho nacional. Não foi há tanto tempo assim que a Expo 98 fez renascer a cidade de Lisboa. Não foi há décadas que o Euro 2004 gerou um frenesim nacional com efeitos directos na economia. Foi ontem. Mas não percebo muito bem porque esses casos, que agora fariam muita falta para gerar verdadeiras dinâmicas de retoma, não foram replicados. Estão à espera do quê? Não é preciso ser um génio-governante (ora aí está uma contradição!) para entender que este é o momento para o investimento em larga escala. Que este é o momento para o Estado lançar projectos de dimensão assinalável capazes de contagiar o sector privado. Emissão de títulos do tesouro? Não me parece. O que faria sentido seria emitir “government bonds” adstritos a projectos específicos. Isso sim. Parece que os governantes europeus nunca ouviram falar no New Deal. Talvez sejam jovens demais. Se for esse o caso, bastar-lhes-ia prestar atenção ao que Obama acaba de anunciar. Esse seria um dos caminhos possíveis. A restauração das infraestruturas do país. E ao fazê-lo gerar dinâmicas em tantos sectores económicos, provocando desse modo a inversão da tendência do desemprego, de um modo real e efectivo. Estão à espera do quê para arrancar Portugal do seu triste estado. Querem que lhes faça um desenho? Francamente. Esta é mesmo muito fácil.

E o que é que os países do Sul da Europa pretendem fazer?

Bruno Maçães, 17 de Dezembro de 2013: “Mas o que defendi é que não faz sentido criar uma frente comum do Norte contra o Sul, ou do Sul contra o Norte, porque os nossos aliados na UE são os outros 27 países.”

 

Spectator desta semana:

 

“If David Cameron were to divide Europe up, he’d make some crude distinctions. There would be the basket cases, like Italy, Spain, Greece, France — examples, by and large, of how countries should not be run. Then there’d be the former Soviet bloc, sceptical about Brussels because they recently escaped a remote, controlling bureaucracy and don’t want to repeat the experience. Then come the good guys, the people with whom he intends to reshape the continent: the Germans, the Dutch and the Scandis. This is the group that the Prime Minister has started referring to as his ‘Northern Alliance’.

 

(…)

 

At these conferences, Cameron’s self-styled Northerners discuss everything from green energy to childcare provision. But the fact they’re discussing anything at all is significant. The left-leaning Swedish newspaper Dagens Nyheter smelt a rat: ‘Behind the scenes, this Northern Alliance will debate ways to frustrate a “French model” for the European economy,’ it wrote. Cameron was taking a risk, it said, in setting up a group that could be seen as a splinter group from the EU.”

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De mala, mas com o taxímetro ligado

Paulo Pinto Mascarenhas, qual Arsène Lupin, desfez em menos de 24 horas o mistério da mala de Marcelo que algumas mentes venenosas ontem punham, alegadamente, em causa alguma vez ter existido. Nas páginas do Correio da Manhã de hoje, PPM conta tudo e revela que a já famosa mala ficou à guarda de um providencial (e confiável, acrescentamos nós) taxista, seguramente lá para as bandas do Palácio da Independência.

Sabendo-se da hora próxima do jantar em que Marcelo discursou – e como foi longo o discurso… – a dúvida agora reside em saber se, para além da generosa conta derivada da espera, Marcelo também terá pago ao diligente profissional da praça uma refeição no Gambrinus…

No meio disto tudo ainda se vai descobrir que a mala ficou, afinal, abandonada e entregue à sua sorte… E vamos “malando”…

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Parece a Escola de Atenas

Pedro Abrunhosa, Camilo Lourenço, Fernando e João Tordo, Fernando Ribeiro, Pedro Boucherie Mendes, Valter Hugo Mãe, José Luís Peixoto, colunistas do P3, comentadeiros de serviço e os que, por arrasto, se enredam nos debates que estes e outros que tais protagonizam. É só intelectuais de alto gabarito.

Brincadeiras perigosas

Consta ter o Sr. V. Putin colocado o exército russo de prevenção. Se é improvável o desencadear de qualquer guerra na Europa – no verão de 1914 também assim parecia -, esta demonstração de força parece querer obrigar “a Europa” a tomar consciência da situação que agora se apresenta. 

 

O que acontecer na Ucrânia, poderá significar algo que muitos julgavam impossível, mas a verdade é que já temos entreaberta a porta dos revisionismos. Uma Rússia contrariada, poderá acicatar alguns ímpetos que decerto não lhe regatearão agradecimentos. A lista de países candidatos ao redesenhar de mapas é longa e sintomaticamente, alguns deles pertencem à U.E. Senão, vejamos:

Hungria, Roménia, Bulgária, Sérvia, Croácia, entre outros. Tudo isto parecerá negligenciável, até novamente surgir um caso não esquecido pelos interessados. Façam o favor de imaginar até onde poderemos chegar.  

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