
Quando entrei para a faculdade no quase longínquo ano de 2008 lembro-me de ter pensado que nunca na vida iria participar em qualquer tipo de praxe. No meu primeiro ano de Direito via alguns dos meus colegas ansiosos por participar. “É a única maneira de te integrares”, “Depois não vais ter amigos”, diziam. “Porreiro”, pensava eu.
Até ao dia em que em plena aula de História do Direito Romano ou coisa que o valha, irrompem pelo auditório um grupo de alunos mais velhos (não tenho a certeza se com mais cadeiras que eu – e era a minha primeira semana de aulas) e começam a dizer aos caloiros para irem todos lá para fora. Ora, quando chegou a minha vez de ser confrontado com um desses espécimes de aluno mais velho, o dito bicho vociferou qualquer coisa. A intenção do animal, perdão, aluno, perdão… não sei o que lhe chamar, era a de o acompanhar para sofrer um castigo ainda pior por me ter rido diversas vezes na cara dele. Como bom aluno que fui, gostava de ter uma desculpa para não ir às aulas. E acompanhei-o. Admito que até aqui, tudo estava a ter imensa piada.
Bom, o grunho que tentou falar comigo levou-me à presença do Dux. Eu perguntei o que era isso. Responderam-me que era o aluno com mais matrículas. A minha resposta foi obvia: perguntei ao Dux quantas vezes tinha chumbado para poder acumular tantas matrículas. A partir daqui, o Dux tentou falar comigo de forma séria: “Olha, isto é uma brincadeira, não precisas de participar”. “Óptimo, fico só a ver”, respondi. “É sempre divertido ver outros a fazer figuras parvas”, pensei logo de seguida. “Mas olha que depois não poderás praxar, nem ninguém te vai ajudar no resto do curso”. Eu sorri, peguei nas minhas coisas, dei uma palmadinha das costas do Dux, limpei a mão nas vestes de outro dos alunos mais velhos e voltei à aula. Nunca ninguém me maçou mais, não sofri represálias e até fiz amigos.
No fim do primeiro ano de Direito, desisti do curso. Fui para Ciência Política, ser caloiro outra vez. Na primeira semana, a mesma conversa das praxes. Ora, uma pessoa que tem de lidar com aquela tontice uma vez, perde a paciência para uma segunda. Na primeira semana, observava os jovens caloiros nas praxes. Era engraçado tal como é ver um macaco a atirar as próprias fezes a outro macaco. Houve, inclusive, um ou outro parvo que tentou gritar comigo mas ficou-se por aí quando lhe explique que havia maneiras muito mais desagradáveis de ingerir a cerveja que ele tinha na mão.
Enfim, no segundo ano pediram-me para organizar as praxes. Quase a contragosto, aceitei. Digo quase, porque se fosse eu a organizar aquela parvoíce, era eu que poderia evitar qualquer tipo de abusos. Durou um dia as praxes e, no fim, levei alguns dos caloiros a jantar e a beber um copo no Lux. Sem trajes, com algumas testas pintadas e álcool.
Quanto às praxes da Lusófona, muito em voga pelas infelizes mortes no Meco, só há uma coisa a dizer: códigos de silêncio, represálias a quem falar, praxe enquanto identidade de uma universidade? Viraram Maçonaria? Ou simplesmente gostam de brincar aos clubes secretos. Não quero que proíbam as praxes, quem aceita ser praxado está a tomar uma decisão. No entanto, quero que abusos sejam severamente punidos. Quer aos alunos, quer à própria Universidade. Ser aluno universitário é mais que seguir as tradições que te impõem. É, a meu ver, exactamente o contrário. É fazer as tuas próprias regras pois, pela primeira vez na tua vida, tudo depende de ti.
Meu caro,
No Porto, na FEP
A praxe é uma tradição, e eu gosto de tradições, tive a felicidade de ser praxado decentemente. (a única coisa que não gostei foi o estar de joelhos, coisa que aconteceu pouco mas mesmo assim),Por isso fiz questão de praxar, e livrar alguns dessa posição. Devo dizer que no segundo dia os caloiros vinham ter comigo, pois tudo o que fazia era para os divertir.
A mim não me sujaram, não me pintaram , não me obrigaram a nada que colocasse a minha integridade física em causa.
Brinquei muito, visitamos pontos importantes da cidade.
Foi uma experiência muito positiva.
Devo dizer que houve um incidente isolado de uma pessoa que abusou, deu-me uma palmada no pescoço. Ao que eu me levantei e lhe disse se ele queria continuar a bater, podíamos fazer isso lá fora, porque o ambiente que se estava a viver não devia ser quebrado.
Gostava que os jornalistas mostrassem essa praxe, pelo exemplo que poderia ser.
Mas existe uma grande diferença entre as queimas, do Porto e de Lisboa.
Mas cada tradição é o que é.
Eu nas praxes reportadas na Comunicação Social nunca seria praxado.