Da série “Carl Schmitt estaria orgulhoso”

Nuno Melo em resposta a Filipe Anacoreta Correia: “O  fogo amigo também mata. E o fogo amigo, para ser amigo, tem que ser involuntário. E o teu muitas vezes não o parece.”

 

Esta retórica do amigo e do inimigo não é propriamente original. Explorada por Schmitt em The Concept of the Political, só é pena vê-la transposta para a praxis supostamente democrática de um partido político português, onde seria mais apropriado observar-se o que Aron chamava de institucionalização de conflitos e o que tantos têm realçado como virtudes da democracia, o pluralismo e a tolerância. No entanto, lá vai servindo os seus propósitos, reforçando a coesão interna de um grupo à moda de Bismarck contra Napoleão III, e até nem faltam alusões ao interesse nacional, esse conceito gasto pelo mau uso e prostituído pelo abuso, de que alguns julgam ter o monopólio e não se envergonham de aplicar na retórica primária do “nós” contra “eles”, em que se concebe a política não como uma arte de unir contrários pelo consentimento e persuasão, mas apenas como um jogo de soma zero em que se procura aniquilar os opositores através da força e da opressão. Mostra, precisamente, que o CDS é, actualmente, um partido imaturo ao nível da sua democraticidade interna, que lida mal com a divergência, contrariando directamente não só um dos seus fundadores, como muitas das suas alegadas referências ideológicas, de onde destacaria, por exemplo e para não me acusarem de ter um viés liberal ou conservador, Jacques Maritain, para quem o pluralismo era uma característica essencial da democracia cristã. 

 

Leitura complementar: Por um CDS mais democráticoHá quem diga que não há CDS sem Paulo Portas; À atenção de Nuno Melo.

1 Comment

  1. monge silésio

    Samuel, há muita gente no cds que vai desaparecer da política e não tem mais nada na vida ativa, nem no Belenenses como analista de piscinas… nos próximos dois anos; mesmo que agora se virem para o socialismo cristão…;
    o que se assistiu foi o arregimentar do núcleo portista porque sabem que a vida custa, e o psd-passos coelho é um seguro de vida a não ser que…; é óbvio que o “chip” vai ter que mudar, nomeadamente nos “fúteis” do cds e sendo novos há mais mundo; é óbvio que Paulo Portas mostrou o seu desinteresse pelo país em julho…e a sociedade civil nacional mostrará desinteresse por Paulo Portas…e o seu grupo.
    Quem vota em ideias, projeto para o país na área liberal e conservadora…fartou-se de Portas em julho, e votará mais depressa em Passos Coelho…o qual passo a passo vai-se revelando estadista, contrariando a faceta “jotinha” da vida airada.

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