Por norma, tendo a menosprezar as quase sempre pouco inteligentes iniciativas políticas das juventudes partidárias, não por qualquer preconceito atrabiliário, mas, sim, pela parca influência que as mesmas têm na vida política quotidiana. Não obstante o facto de ser militante de uma juventude partidária, entendo, e não é de agora, que as juventudes partidárias são, com algumas excepções bem delimitadas, autênticos viveiros da mediocridade intelectual mais grosseira e sabuja. A JP, instituição na qual milito com todo o gosto, ainda que com as reservas normalíssimas de quem entende que os jovens deveriam ser integrados directamente no partido, tem sido, felizmente, uma excepção positiva, contudo, devido, provavelmente, ao pântano de ideias que tem tragado a actualidade política nacional, os jovens centristas resolveram emular os piores exemplos das outras jotinhas. Essa emulação redundou num lance pifiamente estarola, resumido na contagem, através de um relógio propositadamente instalado para o efeito, do número de dias que faltam para a saída da troika de território nacional. Não é que isto importe grande coisa ao comum dos terráqueos lusitanos, mas assentemos, mormente por uma questão de brio, as nossas ideias: em primeiro lugar, quer a troika fique ou saia, já ou daqui a 1000 anos, Portugal continuará a viver, forçosamente, sob os espinhos do estado de excepção financeira a que as elites regimentais tragicamente nos conduziram; em segundo lugar, entendam o seguinte, caríssimos jovens: mesmo que a troika saia oficialmente, as limitações políticas e financeiras permanecerão, com outro nome, talvez, ou, como ainda há poucas horas o primeiro-ministro asseverou, sob os auspícios de uma “linha precaucionária”. Em resumo, é um erro político tremebundo instalar artigos de relojoaria para representar, com toda a pompa e circunstância, o fim de algo que, com toda a certeza, continuará por muitos e bons anos. Como dizia uma notabilidade de outros tempos, deixem o recreio e façam os trabalhinhos de casa.