Mês: Dezembro 2013 (Page 1 of 12)

Bom ano novo

O Facebook sugere-me que veja o meu ano de 2013 em revista. Eu passo, porque não preciso de ver em revista um ano que está e estará, mais do que qualquer outro, presente na minha mente. 2013 foi um ano lixado que se iniciou com a denúncia pública a respeito do funcionamento da FCT no concernente à atribuição de bolsas de doutoramento, luta que continuou com o recurso ao crowdfunding para poder financiar o doutoramento. E se, nesse mês de Janeiro, consegui aliviar a revolta que sentia, se até agora tenho ficado verdadeiramente sensibilizado com a generosidade dos que me têm ajudado nesta campanha de crowdfunding, e se tive também a sorte de sair de uma situação de emprego precário e temporário para um emprego na minha área de estudos nos primeiros meses do ano, não consigo, todavia, de deixar de pensar que 2013 foi o ano que fez ascender, sem aviso, o meu pai e o meu avô paterno à essência, que me revelou a verdadeira face de muitos dos que me rodeiam/rodeavam, para o bem e para o mal, e que, já mesmo no seu término, ainda me conseguiu fazer ter um acidente em casa que me obrigou a ser operado a uma mão há cerca de duas semanas e cuja recuperação se dará ao longo de todo o próximo ano.

 

 

No meio de tudo isto, há que continuar em frente tendo em consideração que, como dizia Chesterton, devemos rir-nos em face da tragédia, já que pouco mais podemos fazer. Mas se é verdade que as dificuldades moldam o nosso carácter e que a forma como as enfrentamos nos definem, também não deixa de ser verdade que este ano teria sido bem mais complicado se o tivesse enfrentado sozinho. No balanço entre coisas boas e más com que Universo me decidiu presentear, tive a felicidade de conhecer a Ana Rodrigues Bidarra, um dos melhores acontecimentos da minha vida, uma das melhores pessoas que já conheci e com quem espero passar o restante tempo que por cá andar. Sem ti, Aninha, seria bem mais difícil olhar para as coisas boas da vida neste ano e a vontade de continuar a olhar em frente teria sido, provavelmente, obliterada. Não tenho sequer palavras para te agradecer por tudo o que tens sido, por me teres ajudado a enfrentar este ano, por me fazeres sentir especial e sortudo mesmo nos momentos mais difíceis. Só contigo compreendi, finalmente, que a verdadeira felicidade só se pode alcançar a dois. Que os anos que aí vêm sejam bem melhores, é o que desejo e o que quero prometer-te, porque tudo farei por isso.

 

Ora então, agora sim, e como é da praxe, termino desejando-vos boas entradas e que 2014 seja um óptimo ano.

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Impressão de ano

Olharei para 2013 por cima do ombro – “Que queres de mim? Conheço-te?”

 

Não sei o que dizer deste ano, é uma grande mancha, uma nódoa de fronteira irregular.
Os picos de felicidade que vivi facilmente se dissolvem quando integrados no contexto geral. E foi, no geral, um ano terrível.
É impossível saborear uma vitória pessoal, o sucesso, quando à volta reina a confusão, a pobreza, a revolta silenciada, o desespero resignado, a ignorância, o embrutecimento. Quando ligamos a TV chovem disparates. Quando abrimos o jornal salta à vista propaganda e mentiras. Desinformação e superficialidade, um chorrilho de meias-verdades e clichés. Que nojo!

Olhamos para o mundo e há países a saírem-se tão bem e outros, tão mal. Por ignorância, por pura ignorância bruta.

Todos os dias que passaram vi ser-me roubada uma parte do meu salário, uma parte da minha liberdade, uma parte da minha energia, uma parte da minha ambição, uma parte dos meus sonhos. Que futuro? Que futuro, quando todos partem?! Para quem ando eu, afinal, a trabalhar? Dizem-me que o que me retiram da boca é para o estado social… Pergunto: que “social”? Que social?! Não há social nenhum aqui, há emigração em massa, há desagregação, há separação, há destruição. E velhice, muita. Fiquei também por eles, pelos velhos – que será deles se todos, os novos, partirmos? Portugal, esse lar à beira-mar plantado. É bem sabido que este país não é para novos, nem para ninguém que tenha sangue vivo na guelra! Mas também é verdade que é hostil para os velhos, pelo menos, para alguns velhos, os reformados, principalmente aqueles reformados de uma vida de trabalho “privado”. Ficou claro ao longo deste ano que há velhos de primeira e velhos de quinta. Os de quinta, quem se importa com eles?

“Concentra-te no presente pois é tudo o que há.” Repeti vezes sem conta o mantra sábio, em surdina, como auto-lavagem cerebral. Meditei. Não chegou. Caminhei. Não chegou. Vagueei, deambulei, abandonei-me. Não chegou. Corri. Corri ainda mais. Corri tanto que fugi! Fugi muito este ano que passou, não fiz outra coisa que não fosse fugir, para a frente, sempre para a frente, um dia de cada vez, na impossibilidade de serem dois. Rápido!

Tive saúde, é verdade, e agradeço. Afinal, aquela coisa de que me ria “a saudinha, para si e para os seus!” é a melhor coisa que me podem desejar – faz sentido e dou por mim a desejar “saúde!” aos que amo: digo-o com autenticidade, com solenidade, olhos-nos-olhos.

2013… o ano da confusão, da dissolução. Pela primeira vez, que me lembre, não soube o que pensar, fiquei baralhada várias vezes, a clareza lendária do meu raciocínio deu o tilt em várias situações. Na impossibilidade de raciocinar, vociferei:

“Está tudo louco!”
“Perdeu-se a vergonha na cara!” – que provavelmente nunca se teve…
“Perdeu-se a razão!”
“Perdeu-se a noção do ridículo!”

“Eu desisto.”

E fugi novamente, desliguei, não quis saber. Não adianta, para quê saber? Saber é sofrer.

Tenho consciência que estamos a viver um período de transição e por isso é normal estarmos enterrados até ao pescoço nesta lama. Esta lama é “normal”.

O meu desejo para os próximos anos é que se saia desta lama e se pise terreno fértil. O meu receio é que o país saia da lama para pisar o deserto. E com a quantidade de gente destrutiva, ignorante e egoísta que este país tem em lugares de poder algo me diz que após a lama virá a areia. Será necessário uma grande mudança de mentalidade dos governantes e dos cidadãos para que ideias novas possam florescer neste terreno agora lamacento. Que sejam deitadas à terra as sementes da mudança e que se protejam os rebentos novos das pragas e parasitas, desses predadores que vivem da estagnação, da confusão e da destruição. Que se regenere esta terra para que um dia possamos reaver aqueles que agora partem rumo a países amigos de ideias boas, países que os abraçam e lhes enchem os corações de esperança e os olhos, de futuro. Um dia esse país será Portugal. Tem de ser!

Vai-te embora 2013 e leva contigo os que te tornaram tão desprezível.

Um problema chamado Vaz

As notícias que têm vindo a lume a respeito da crise congeminada pelo senhor Fernando Vaz (estou a ser muito benévolo no tratamento dado a este gentleman), permitem extrair uma conclusão pouco abonatória no que tange à influência política e diplomática exercida pela CPLP. O Paulo Gorjão e o Francisco Seixas da Costa já se referiram ao assunto aqui e aqui, salientando, justamente, esse ponto. De mais a mais, as últimas ocorrências deste affaire não são, propriamente, muito surpreendentes. A CPLP, enquanto organização política, tem primado pela mais absoluta irrelevância – veja-se o supino caso do acordo ortográfico -, algo a que não é alheio o facto de tanto o Brasil como os PALOP, sem esquecer, evidentemente, Portugal, terem votado esta instituição a um agradável ostracismo, no qual os assuntos mais candentes se resumem à mercearia involucrada numa hipotética adesão do regime de Obiang Nguema Mbasogo à organização. Para bom entendedor, meia palavra basta. Ademais, é facílimo de entender a preferência do Estado português pela abordagem multilateral dos problemas políticos emergentes na Guiné-Bissau: em primeiro lugar, a reduzidíssima efectividade política e diplomática da CPLP assim o obriga, em segundo lugar, como o próprio Francisco Seixas da Costa ressaltou, o acto ocorrido em Bissau foi, clara e inequivocamente, um acto de pirataria, pelo que a abordagem a seguir deverá ser, obviamente, multilateral. Em guisa de conclusão, mais uma vez, a CPLP provou que, política e diplomaticamente, não existe fora do quintal das Necessidades, o que, em boa medida, só leva a concluir que, nestes moldes, a instituição em questão é absolutamente inútil. Por fim, gostaria, igualmente, de lamentar o total despudor exibido pelos media portugueses ao amaciarem as posições da Guiné-Bissau, com entrevistas e peças jornalísticas a destempo. Assim, com estes gramofones comentadeiros de péssima qualidade, é, de facto, muito difícil ter uma diplomacia que funcione e prossiga os interesses nacionais.

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2014 e o tempo que deixou de contar

Não existe tal coisa como a mudança que acontece com a passagem de ano. Não existe o virar de página para um mundo eminentemente novo. Não existe o balanço de algo que finda para relançar à virgindade. Não existe a tábua rasa. Vivemos aquém e além dos nossos desígnios. E nesta antecâmara onde refrigeramos o espumante da celebração, damos conta da continuidade. Não saímos dos nossos corpos, mas abandonamos uma parte das nossas convicções. Deslocamo-nos sem sair do mesmo cruzamento, onde habita um semáforo caprichoso, aberto e cerrado no mesmo instante, no embate coincidente. Em política sabemos de antemão que foram, e serão todos, vitoriosos. Que não admitem a derrota num concurso de penhoras, de expectativas e engodos, de talismãs e regressos triunfais. Em epígrafe, na margem rasurada da grande história, as assinaturas serão manchas menores, meras rubricas de um testemunho que passa pelas mãos de estafetas cansados. Os homens, os grandes, os pequenos, e aqueles que se arrastam como invertebrados, aprendem de um modo doloroso – a lição da inconveniência de um tempo prolongado, retardado, atrasado pelo destino que nunca o será. Um predestino que foi vilipendiado, assaltado por saldos de ocasião, palavras coniventes e verdades preteridas. Faça-se a lista do deve e haver, inscrevam-se nas colunas  a soma e a distracção que a acompanha, e verão que a conta não passará na auditoria da consciência colectiva. Os contribuintes foram liquidados pelo depósito na falsa guarida, pela glória de um campeão que se anuncia redentor, na receita que morde a cauda do seu falso esplendor. As palavras, estas, aquelas e as demais, são um perfeito embuste que não nos servem, que não me servem. Existem como espuma bárbara de um delírio cronológico, das badaladas que ainda faltam, que servem para lançar figurantes em falsas estreias, repetidas à exaustão. Se há algo que aprendemos nestes anos que já são alguns, que já estão algures – é que os mesmos já não servem para contar. Façamos uso dessa sabedoria parcimoniosa para aceitar que nos encontramos no emaranhado de temporais. 2013 estará em 2014, e todos os anos que os antecedem e que se seguem estarão nessa volúpia que queremos amestrar para memória futura. Porque as recordações do passado não cabem na geometria de um relógio estilhaçado. Não percamos mais energia com ninharias, porque nada disto tem cabimento na simples batida de um pulso, no peito aberto vergastado pelos ventos que sopram.

A indústria das remodelações falhadas

Hoje, realizou-se a nona alteração à composição do executivo, sendo que, no presente ano, esta é a sétima remodelação efectuada. Em suma, no espaço de um ano este Governo já sofreu sete alterações na sua composição, sendo que em quase todas elas não houve, a bem da verdade, um único ganho político digno de nota, exceptuando a tão contestada remodelação de Julho. De resto, quase todas as remodelações realizadas até ao momento trouxeram, na generalidade, inexperiência política a rodos, e embaraços escusados, pelo que, céptico como sou, não dou grande crédito a esta remodelação.

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As novas cadeiras da Concertação Social

Acabo de ler que a Concertação Social (não confundir com Concerto de Natal ou Concerto de Ano Novo) vai ter mais cadeiras (duas) para dar assento a representantes de emigrantes portugueses. Na minha opinião a mesa ainda assim não fica devidamente posta e deveria albergar ainda mais lugares. A saber; um sofá para representantes das comunidades estrangeiras residentes em território nacional e que são contribuintes líquidos para a riqueza nacional (nomeadamente trabalhadores angolanos, cabo-verdianos, moçambicanos, brasileiros e ucranianos, entre outros); um maple para um delegado que defenda os interesses daqueles com necessidades especiais (vulgo deficientes motores, cegos e amblíopes); uma espreguiçadeira para uma embaixadora das mulheres-trabalhadoras de Portugal; um banco de Jardim para o porta-voz daqueles defraudados pelas instituições financeiras; um puff para o jovem que dá voz aos anseios dos seus colegas desempregados, e por último, um berço para o representante da geração futura que terá de enfrentar tantos desafios e obstáculos. A Concertação Social pode ser uma coisa bonita, mas mereceria uma reforma mais profunda do seu estado, para melhor espelhar o país que tanto mudou nos últimos anos. Como é aquele dizer?- Numa casa portuguesa há sempre lugar para mais…uns quantos.

As potências do Eixo

Hoje fez figura de convidado um homem do cinema, mas de toda a normal rotina de descasque no governo e na situação, apenas retive algumas palavras do Daniel Oliveira. Dizia ele que dentro em breve os europeus, ou melhor, os portugueses, serão confrontados com o difícil dilema de serem forçados a escolher entre a globalização, a democracia – que as potências do Eixo dominicalmente vão demolindo – e a soberania nacional, renunciando a uma destas.

 

Concordo com D.O. quando ele diz optar pelo cercear da globalização, evidência que aqui tem sido incansavelmente mostrada ao longo de anos. Salvem-se assim a democracia – entendida esta como o sistema representativo de tipo ocidental – e a independência nacional. Por muito residual que esta seja, no caso luso, esta última reduz-se ao flamante Tribunal Constitucional, ao belo Hino e àquele têxtil que internacionalmente identifica o país.  

 

Sejamos realistas. Tal como andam os assuntos internacionais, corremos o sério risco de não apenas vermos a globalização riscada das nossas vidas – o que será um alívio -, mas também e por arrasto, a democracia e a independência nacional. 

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Fachadas, ruínas e lixo

 

Na Luciano Cordeiro, um importante conjunto de ruínas pertencentes a um bem conhecido sr. Belmiro.

 

É a imagem da cidade que querem promover no estrangeiro. Na semana em que ousam alvitrar uma nova e quase-mesquitada “Ópera do Tejo” a construir diante do Arsenal – Terreiro do Paço/Cais Sodré – o aspecto geral é indecente, sendo a degradação uma lepra que rapidamente se espalhou por todas as zonas da capital. Entrando por ocidente, leste ou norte, deparamos com o mesmo espectáculo de ruas esburacadas, ruínas e prédios a ameaçarem queda iminente. Novas construções, normalmente horrendas, vão substituindo aquilo que o século XIX e as primeiras décadas do vigésimo nos deixaram, nada escapando à sanha devorista dos interesses instalados com os quais as sucessivas vereações camarárias têm escandalosamente colaborado. Aqui e ali arranjaram como disfarce a fachadização, suma imbecilidade que permite a total destruição de interiores, atirando-se para o lixo as madeiras, estuques, vidros e metais, sempre em benefício da alteração da finalidade a que se destinava a construção. Numa cidade Potemkine que conta com muitas dúzias de grandes edifícios de escritórios completamente devolutos, a CML continua a outorgar alvarás de construção para o sector dos serviços, roubando habitantes aos bairros e promovendo a mais do que certa insegurança dos lisboetas. A praga alastra aos edifícios residenciais, permitindo-se  a expulsão das famílias em direcção à especulação nas periferias, para o claro e bem concertado benefício dos negócios. É um desastre a intencional suburbanização. 

 

 

Diante das ruínas pertencentes ao sr. Belmiro, o lixo de 48 horas

 

Temos agora a repugnante e vexatória visão do lixo que ao longo desta época festiva se vai acumulando a cada hora que passa e para cúmulo do descaramento, já houve quem tenha aconselhado os lisboetas a manterem os resíduos dentro de suas casas. Assim que as excelências sob a batuta do sr. Arménio se decidirem retomar as operações de limpeza, poderemos então voltar ao rotineiro depósito nos contentores.

 

Talvez o mais importante edifício de habitação do ocaso do s. XIX lisboeta, hoje intencionalmente devastado, crime permitido pela actual CML

 

Pois bem, não o façam, desobedeçam.

 

Coloquem o  vosso lixo em plena via pública, deixando os montões crescerem até à resolução do problema. O odioso integralmente recairá sobre quem de forma abusiva causou e permitiu esta situação e não atingirá quem paga taxas de saneamento e toda uma miríade de impostos, contribuições e outros artifícios que exaurem as finanças privadas. Ficará então bem patente o ponto a que esta cidade – e o país – chegou. Lisboa assemelha-se hoje a uma favela.

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O precipício

A falta de memória histórica condena-os à opção pelos mesmos erros que vitimaram instituições que o país um dia julgou perenes, adequadas àquilo que a Europa civilizada era. Foi o que aconteceu durante os derradeiros cinco lustros de vigência do regime da Monarquia Constitucional. 

Num curto e incisivo artigo no Sol, José António Saraiva considera não estarem as nossas elites políticas naquele patamar de clarividente competência que nos permita o enfrentar das dificuldades que o país há duas gerações atravessa. Não foram capazes de fazer a transição do marcelismo para um sistema representativo aceitável – pelo contrário, João Carlos I conduziria a Espanha ao sucesso da normalização institucional -, não souberam nem puderam gerir o intempestivo ingresso numa CEE que excluindo a Alemanha não nos queria e pior ainda, o abarrotado conglomerado Soares, Sampaio, Cavaco Ferreira Leite, Félix, Pacheco, Sócrates, Barroso e uma infinidade de outros nomes bem conhecidos, anda tresloucado pela ânsia do parecer bem e agradar às bastas vezes distraídas, mas esperadas audiências televisivas. Insiste no despejar de lama às pazadas sobre as instituições e os seus titulares, acicatando a quezília, a desconfiança, o crime e a violência, estranhamente se parecendo como um grupo onde a autofagia se confunde com um auto-outorgado certificado de inépcia na condução dos assuntos da coisa pública. 

 

Os que cá ficarão pagarão bem cara esta descarada estupidez, enquanto eles, os diletantes responsáveis pelos governos que ininterruptamente se sucederam, decerto um dia partirão despreocupados para mais benignas paragens. Alguém hoje se recorda que Afonso Costa morreu anafado e bem recostado em Paris? Ou melhor, quantos dos dez ou quinze milhões portugueses alguma vez ouviram falar do Afonso Costa? 

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