Manuel Carvalho da Silva, Diário Económico:
“Está a dizer que as pessoas têm de se revoltar porque está em risco uma ruptura que pode levar ao fascismo?
Carvalho da Silva – Essa é uma das hipóteses ( apostila – ou seja, ou as pessoas se revoltam e gritam impropérios à troika, ou então voltaremos a marchar sob o peso das baionetas fascistas, com assassínios e torturas a rodos). O enquadramento do Estado de direito português está a ser fragilizado todos os dias. Quando Paulo Portas, na sua comunicação da semana passada, vem insistir naquela questão da regra de ouro na Constituição tem um objectivo: introduzir na Constituição um factor de ordem económica e financeira de carácter supra que possa submeter ( apostila – submeter em quê e o quê? A não ser que, segundo a escola boaventuriana, o Estado de direito seja um conceito absolutamente estranho ao equilíbrio financeiro dos poderes estaduais) o Estado de direito democrático. É subversivo. É extraordinariamente perigoso (apostila – por outras palavras, tudo o que diga respeito à correcção dos desvarios financeiros do Estado e quejandos é, por inerência, um caminho revolucionário e sedicioso, susceptível de colocar em causa a ordem estabelecida. Carvalho da Silva tem, de facto, uma imaginação tremendamente fantabulástica).”
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