Dentre as forças políticas mais instaladas do regime, o PS consegue ser o potentado político mais cavernoso e indigesto. Há dias o PSD chamou, com alguma pompa e circunstância, os responsáveis maiores do Partido Socialista para um diálogo aberto sobre os desafios inscritos no guião apresentado pelo vice-primeiro-ministro, Paulo Portas. A resposta, como todos sabem, foi “rotundamente” negativa. Seguindo, mais uma vez, a linha do “salve-se quem puder”, o PS opta, deliberadamente, por obstruir os canais do diálogo e da concertação políticas, tentando com isso fazer vingar uma agenda absolutamente inexequível. Há, contudo, nesta conduta uma coerência que não pode ser desestimada. Se os leitores percorrerem a história deste doce cantinho à beira-mar enroscado, verificarão, com basta facilidade, que Portugal é, há largos séculos, um paraíso, se me permitem a expressão, do orgulho macho. Passo a explicar: tal como há homens que fazem da sua existência um relambório trambiqueiro de conquistas medidas à força do garbo e do bíceps, também há, na historiazinha das nações, governos, elites e sociedades cuja visão do mundo assenta, primariamente, na convicção esparvoada de que a força própria será suficiente para debelar todos os conflitos possíveis e imaginários. O PS nacional funciona deste modo. A norma fundamental deste agrupamento politiqueiro composto por jacobinos octogenários e fedelhos sedentos de protagonismo ignorante é a força do verbo destrambelhado, mesclado com muito fel e propaganda. É bom de ver que isto, nos dias que correm, já não tem, a bem da verdade, muita adesão popular, mas o certo é que a falta de acordo político em matérias essenciais à governação do país trará, mais cedo ou mais tarde, como consequência a falência total do país, e, sublinhe-se, a ruína final da mundividência priista que comanda o país desde 1976. É bom que o PS acorde para a realidade, e que se deixe de saudosismos socráticos, porque sem um acordo mínimo sobre o essencial o regime não aguentará muito tempo, pelo menos, nos moldes em que está actualmente desenhado.