Bem sei que isto é a aplicação directa da Lei de Godwin ao estado do Estado, mas não posso deixar de partilhar a evocação que o Vitor Cunha hoje trouxe de um grande discurso socialista com menos de um século:

 

“Somos socialistas, somos inimigos do injusto sistema económico capitalista que explora os mais fracos, com o seu sistema de salários injustos, com a sua desproporcionada avaliação do ser humano de acordo com riqueza e propriedade em vez de responsabilidade e mérito; estamos determinados em destruir este sistema de todas as formas possíveis.”

 

– Adolf Hitler, 1 de Maio de 1927

 

Dito isto, quem apouca o regresso de Sócrates como se de um queimado oriundo da Prelada se tratasse, sucumbe à mesma sobranceria de vistas curtas dos que permitiram, no alto do seu pedestal amornado pela rotação anterior de cadeiras, a ascensão de Hitler e da sua máquina, cuja versão Socrática já está anos-luz mais adiantada e apurada do que estava a do primo Adolfo aquando da citação supra.

 

Não me custa imaginar a Besta de Alijó, ladeada por Daniel Oliveira, Bernardino Soares, Alberto Martins, António Costa e pelo sarcófago de Soares, sentada num trono Armani adornado com as peles daqueles que em tempos o denunciaram, e com as pernas cobertas por moedas de Sócios (o Sócio seria o Novo Escudo) presidindo à segunda democracia dinástica na História do planeta.

 

Não há outra conclusão: 50 a 80 por cento dos que se dizem socialistas padecem de diferenças de hardware neuronal comparados connosco, o que lhes faculta uma trama psico-sensorial completamente imiscível com a percepção da realidade, e até das relações entre sujeito e objecto, conforme as conhecemos.

 

*Leni Riefenstahl, 1935