Viagens na minha Terra.

” Todos os anos, em meados de Setembro, no remoto Douro Superior de Portugal, pode ouvir-se o som de cantares festivos que ecoam suavemente sobre o rio Douro à noitinha. É tempo de vindimas na Quinta do Vesúvio e a voz do capataz pode ser ouvida dentro da adega, incitando os pisadores enquanto fazem o corte. Repetindo um ritual anual que atravessou gerações, a pisa das uvas acabadas de vindimar não é feita por máquinas mas sim pelos pés de homens e mulheres em tanques de pedra, abertos, chamados lagares. O dia foi longo e o grupo de pisadores passou o dia nas vinhas a vindimar as uvas à mão. Este é o motivo porque cantam, incentivando-se mutuamente para continuar a pisar as uvas frequentemente até altas horas da noite “
Artigo sobre a Quinta do Vesúvio – revista “World of Fine Wine”, citado no sítio desta  quinta.

Chegáramos ao concelho de Vila Nova de Foz Côa. O mapa que nos orientava dizia-nos que à nossa frente estava a freguesia de Numão, de  que tinha lido referências abonatórias o bastante para uma visita. A fome era grande já, mas não podíamos deixar de a visitar, embora não tão demoradamente como depois vimos ela merecer; para uma próxima vez?…

Quando procurávamos o afamado castelo de Numão, uma placa a desviar-nos da rota: « Quinta do Vesúvio »… Que reminiscências estas simples palavras: D. Antónia Ferreira, o Barão de Forrester… – uma quinta quase lendária, a primeira que nos vem à memória quando falamos em ” Douro “. O estômago teria de esperar um bocado mais!

Mas se valeu a pena!…

Ao espírito de quem vê tamanha beleza natural fluem as palavras do visconde de Vila Maior: «Imaginem, se puderem, uma vinha contendo entre os seus muros sete montes e trinta vales!».

3 Comments

  1. Regina da Cruz

    Que belas imagens!
    Obrigada Cristina.

  2. Regina da Cruz

    ps.: estas imagens fizeram-me cantar quase inconscientemente esta música:

    http://www.youtube.com/watch?v=Yv3smqeOulI

    Ai, que lindeza tamanha,
    meu chão , meu monte, meu vale,
    de folhas, flores, frutas de oiro,
    vê se vês terras de Espanha,
    areias de Portugal,
    olhar ceguinho de choro.”

  3. Cristina Ribeiro

    Obrigada, Regina. Grata, também, por essa cantiga que valoriza o que tão lindo é 🙂

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