” Entre Barcelos e Viana, Esposende… Não vim aí ver o Cávado aterrado nem as memórias do passado de Águas Celenas…
Vim ver a poesia. Ou o Poeta.
Aí, em Belinho, costas ao mar, vive António Corrêa de Oliveira…
António Corrêa de Oliveira é poeta como as roseiras dão rosas, como as macieiras dão maçãs: espontâneamente. A única diferença é que ele dá poesia todo o tempo. ( … ) Faz versos como os outros não fazem nada… sem esforço. Como o povo faria, e faz às vezes, quando lhe dá para poeta.
Só com sentimento. E mais nada.
Meu amor, roseira fina
Muito alto as rosas deita:
Só lá chega uma menina
Com a sua mão direita…
Isto não faz um poeta qualquer, faz o poeta que tem a ingenuidade do Povo.
Mas esse Poeta, e vate, era profeta, portanto. Num gemido sabe pôr a história e a aflição da Terra e do Povo:
Oh ondas do mar salgadas
Donde vos vem tanto sal?
Vem das lágrimas choradas
Nas praias de Portugal…
É como o esperava. Alto, linheiro, simples… E chão, e bom, e humilde, bom e são como o pão e o vinho, como a Poesia, a sua Poesia… “
Afrânio Peixoto, « Viagens na Minha Terra »

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