A imprensa portuguesa é bestial na sua bem conhecida forma de comentar resultados eleitorais. No caso da Baviera, onde estes foram bem evidentes e passíveis de serem “compreendidos à primeira”, são para o Expresso uma espécie de Redbull avidamente engolido pelos correspondentes do Sr. Seguro, dão-lhes “asas”, o tal quase-quase-quase necessário para alijar a Sra. Merkel. Enquanto isso, os 49% da CSU são apresentados como um “mau resultado” para o Público, desde já sentenciando a exclusão dos liberais do FDP. Este partido é na Alemanha uma espécie de “CDS das sondagens”, surgindo sempre como relegado para modestas posições abaixo dos 5% necessários ao ingresso no edifício do Reichstag, mas que por obra e graça do Espírito Santo, acaba sempre por conseguir um grupo parlamentar que garante ominosas alianças, neste caso com a CDU, a tal coligação democrática unitária de democrata cristãos e conservadores de vários matizes.
Com alguma sorte, na próxima segunda-feira ainda leremos um luso-comunicado deste género:
“Hádem de vir melhores dias para os direitos adquiridos pelos povos europeus até hoje oprimidos pelo egoísmo neo-liberal dos impostos altos. A CDU congratula-se pela nova situação criada pela vontade popular na Europa central, adonde o avanço imparável das forças democráticas , exige a imediata entrada do partido die Linke no governo.”

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