( …). Gargantas estreitas e maninhas, no fundo de montes castrejos, curvas largas onde as casas acedem, confiantes, até à margem. É o tempo, ainda, do rio indominado, sem barragens, sem controlo. ( … )
Este é o mesmo Douro da vindima, trabalhador e eficiente, com velhos e crianças no trabalho, mulheres na poda, os homens nos cestos e no lagar: a vinha poeirenta, o brilho do xisto, a coreografia é a de todos os tempos, o ritual é o de sempre. “
Maria do Carmo Serén

Foi este Douro, alegre mas com um rasto de melancolia, que encontrei naquelas viagens que, em família alargada, em que destacavam as vozes ruidosas dos sobrinhos pequenos, a curiosidade a brilhar nos espelhos dos seus olhares irrequietos.
Era Outono já, e as vindimas seguiam a bom ritmo.

* Miguel Torga