Não estamos em época de gabardinas, chapéus de feltro e guarda-chuvas discretos. Este tipo de saídas mais parecem imagens de um mau filme dos tempos da guerra fria, quando espiões e teóricos da conspiração julgavam necessária a máxima discrição, imaginando cenários em que cada pedra da calçada era um bufo, um sequaz dos “inimigos de classe”.
Diz-se que o sr. Carvalho da Silva saiu do PC pelo quartinho dos fundos, quiçá saltando a janela da marquise que dá para o quintal da sede na Soeiro Pereira Gomes. Devolveu o cartão ou limitou-se a depositá-lo no ecoponto mais próximo? Veremos se agora se dispõe a uma curta travessia neste deserto pleno de frondosas árvores carregadinhas de suculentos frutos social-democratas. Também poderá tratar-se de uma mera acção agit-prop engana incautos, um encarte para se empinar como próximo comensal de esquerda em Belém. Um processo de caviarização que é tão do agrado das nossas oligarquias.
Há gente capaz de tudo e mais alguma coisa.

Nuno Castelo-Branco: a sede não pode citar a Soeiro Pereira Gomes porque a sede não fala, não escreve. ‘(…) a sede sita na Soeiro (…)’. Sita e não cita, são palavras homógrafas mas têm significado diferente.
Claro, até propicia a gargalhada. Coisas que acontecem e embora nem sequer tenha o obrigatório hábito de reler as patetices que aqui deixo, sei perfeitamente qual a diferença entre citação e situação. Obrigado pelo oportuno reparo.
É óbvio que no comentário anterior quis escrever homófona e escrevi homónima. As minhas desculpas.