Frases com Sentido.

Como viria, depois, a escrever Rui Ramos, D. Carlos era um rei diferente dos que actualmente quase só dão notícias para as revistas cor-de-rosa. Achava, bem, que não subira ao trono apenas para ” reinar “.

No mesmo sentido escrevera já Henrique Barrilaro Ruas: 

                      ” Como poucos soberanos dos tempos modernos, El-Rei D. Carlos teve a consciência muito clara do que é ser Rei. Condenado a uma existência puramente simbólica, o Rei guardava o carácter essencial da Realeza de sempre. ( … ) Em El-Rei D. Carlos era muito viva a consciência da irmandade com todos os homens, sem distinções de classes ou de ideias…………………………………………………………………………..

……………………………………. . E , no entanto, que alta figura a de El-Rei! Mostram-no aos olhos serenos da História documentos sem número, em que D. Carlos I se revela a corpo inteiro. « Um caso exemplar de Humanismo Português » – lhe chamou, certeiramente, o Dr. Carlos de Soveral. ( … ) Chegada a hora das decisões extremas, o Rei não recua perante nenhuma responsabilidade. Quer a Constituição que ele seja irresponsável; D. Carlos I assume a plena responsabilidade [ que entende caber-lhe no exercício do governo da Nação ]. Incompreendido por quase todos os chefes monárquicos, El-Rei escolhe o caminho mais difícil – o caminho do poder pessoal. “

5 Comments

  1. João Ferreira do Amaral

    Com a devida vénia, discordo.
    Os políticos dos partidos “rotativos”, na generalidade fracos, mesquinhos e, cada vez mais, alienados do interesse nacional conduziram o regime à beira do abismo. Sem alternativa, El-Rei viu-se forçado a intervir em domínios de disputa política de que devia ter sido preservado. Fê-lo por imperativo de dever patriótico e não por vontade do monarca constitucional, que era de facto.
    Para desgraça de Portugal, El-Rei foi morto e os ditos políticos entregaram os destinos do país a meia dúzia de republicanos delinquentes.
    O problema não estava no rei nem no sistema, como a historiografia republicana sempre pretendeu convencer. O mal estava, e agravou-se, na falta de qualidade dos protagonistas políticos.

    • Cristina Ribeiro

      O mal estava, como sempre vai estar, nos partidos. ” Tout court “. Face a isso, é, manifestamente, necessário que o Rei assuma poderes governativos: como no Mónaco, por ex. ( já para não falar na nossa Tradição, em que “ Cada um dos seus ministros governava por si e o Rei governava a todos “, como escreveu Oliveira Lima no « D. João VI no Brasil » ). D. Carlos viu esse cancro partidário.
       

      • Cristina Ribeiro

        … como, antes, intuíra já D. Pedro V.

      • João Ferreira do Amaral

        Independentemente das personalidades diversas, todos os nossos quatro reis  “Saxe-Coburgo” juraram a Carta Constitucional que era razoavelmente clara em relação aos poderes do Rei. Os quatro cumpriram exemplarmente o juramento mas as circunstâncias determinaram diversos graus de actuação na cena política.
        Já nos nossos dias, o “Rei dos Belgas” chegou mesmo ao ponto de ter de chamar a si a goveração da Bélgica. Não sendo essa a sua função nem provavelmente a sua vontade, não hesitou em assegurar a governabilidade, enquanto os eleitos da nação se revelavam não estar à altura das responsabilidades. Um bom exmplo de um rei moderno.

        • Cristina Ribeiro

          Juraram-na, é verdade, mas esses dois Reis deram-se conta do espartilho que ela constituía, limitando o papel natural do Rei: governar, tendo em vista, só, o bem nacional, coisa que, a experiência demonstrou-o e continua a demonstrá-lo, é totalmente desconhecida dos partidos.

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