« Chamai-me, que eu de Abril nas auras voltarei / Quando a Acácia do Jorge inda uma vez inflore… »

                                                        Camilo Castelo Branco

CAMILO! como acreditar, como hei-de

entender esses versos que deixaste?

Floriu a Acácia em S. Miguel de Seide,

cada ano te espera – e não voltaste!

Já tantas vezes deu a sombra amiga

que tu gostavas tanto de gozar…

Florida, tem um ar de festa antiga

na esperança de te ver voltar!

Voltar? A velha árvore que canse!

Por fim há-de ruir numa amargura!

– Preparas um último romance?

Suprema indiscrição! Génio e loucura!

Dolorosa novela desmanchada,

que nos deixe pálidos e absortos,

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Oh Acácia! é já tempo: desesperas?

Não te ponhas florida, põe-te aos ais!…

Nunca mais voltará esse que esperas…

Ouves bem este horror? Jamais! Jamais!

E os versos dele, onde a saudade existe,

que à despedida te gritou também

ah! não são mais que uma mentira triste

como tudo, afinal, que nos faz bem.

Poetas, perguntai ao pensamento

que mais quimeras e desgraças forje?

Antes te seque um raio, ou parta o vento,

oh Acácia do Jorge!…

       Afonso Lopes Vieira ( Boletim da Casa de Camilo )