Meu filho, vou contigo no teu sonho
– à alma ninguém tolhe a liberdade –
segue-te a minha fé, a fé que ponho
na tua audaz e linda mocidade.
E, dentro em mim, suscito e já componho
o poema da tua heroicidade,
sobrevoando o mar da tempestade
e o deserto sáfaro e medonho.
Nas infindas e árduas solidões,
em que Deus vê melhor os corações,
Deus vai por certo ouvir as nossas preces,
Sentindo o pátrio amor em que te abrasas
e vendo as penas que te foram asas
para fugir à dor que não mereces.
Cândida Ayres de Magalhães, ” A Voz de um Pai “
Nasceu esta poetisa, « imerecidamente esquecida », nos últimos anos do século XIX ( 1875 ), e morreu em 1964. Bastante culta, destacou-se pelas suas colaborações, em prosa e poesia, em publicações várias, como o Diário de Notícias, mas também pelos seus livros, especialmente « Asas Feridas » e « Trevas Luminosas ». Maria Amália Vaz de Carvalho, de quem era muito amiga, era sua tia materna.

Este poema, este verso, Cristina, tem a ver connosco. Se ainda fôssemos capazes de fazer das penas asas!…
Faltou-lhe apenas uma nótula sobre quem seja esta poetisa, que de todo desconheço, e presumo não seja das mais citadas nas nossas histórias literárias. Pela assinatura e pelo estilo, parece ser coetânea de outra também hoje ignorada – Branca de Gonta Colaço -, de quem há muito procuro o mais belo poema que li feito à nossa bandeira azul e branca, escrito já após Outubro de 1910.
Que bom seria…
Duarte já fiz o aditamento sugerido.