Já só falta o cartão de visita do ajudante de engenheiro de nome filosofal e num trato destes, é claro que jamais lhes passaria pelo nariz o cheirinho a esturro. No sector em causa, 150% de proventos empochados são qualquer coisa de inimaginável num negócio limpo. Como não vivemos no Zimbabué do grande libertador Mugabe, há limites impossíveis de ultrapassar. Pelo que se sabe através dos escaparates noticiosos, o Sr. Machete teve a inopinada sorte também reservada a Cavaco Silva e a outros menos badalados. Se a isto juntarmos os estranhos e ruinosos assuntos em que o Estado se envolveu desde há muitos anos, teremos então o quadro completo. Por estas e por outras, Álvaro Santos Pereira “foi à vida”.
O que diriam os republicanos que tanto barafustaram com o Crédito Predial e os Tabacos, aliás totalmente imputáveis aos chefes políticos e não à Coroa? Sabemos que o quer sangue Mário Soares imita Afonso Costa com os agora costumeiros “por muito menos que isto, rolou no cadafalso a cabeça de…”, oportunamente se esquecendo de episódios de outros tempos em que rutilâncias pedregosas, assuntos orientais e umas tantas minudências eram apontadas a si próprio e à sua entourage.

A questão não está nos 150% de lucro – muito mais do que isso teve quem comprou acções Apple há 5 ou 6 anos e as soube vender. O problema está em que 1º as acções não tinham cotação oficial; 2º o preço parece não ser o praticado noutras transacções e, last but not the least, 3º a sociedade em causa estava perto de constituir uma associação de malfeitores.
Em qualquer democracia mais ou menos decente, negócios em tal sociedade teriam como consequência para quem os fizesse o não exercerem qualquer cargo público, injusta ou justamente.