Lamas de Olo, Vila Real de Trás- os- Montes
” Vê-se primeiro um mar de pedra. Vagas e vagas sideradas, tristes e hostis. Tudo parado e mudo. Apenas se move e se faz ouvir o coração no peito, inquieto, a anunciar o começo duma grande hora. De repente rasga o sile^ncio da penedia uma voz assim: < para cá do Mara~o, mandam os que cá estão !…>
Sente-se um calafrio. Esse penedo falou? Mas já uma voz terrosa ordena; < Entre!… >. A gente entra e já esta ‘ no Reino Maravilhoso.
Miguel Torga
Decerto que esta aldeia, de gente tão simpática, que nao se cruza pelo forasteiro sem que lhe deseje um bom dia, e’ um pedaço desse Reino. Um Reino onde o tempo corre devagar, como que a seguir o ritmo lento da vaca que sobe devagar o caminho íngreme por onde a jovem pastora a guia até ‘as verdes pastagens, que este Inverno foi chuvoso,. Nao longe e’ uma procissão que passa, a dar a volta ‘a aldeia, festejando, talvez, o dia do seu Santo Padroeiro, agradecendo, talvez, a fartura que se vê nos campos onde, entretanto, a vaca que subia a ladeira se juntou já ‘as muitas que se lhe tinham adiantado.

Tem de ir para o “lado de lá” do Alvão e contemplar a vista da Cidade de Vila Real, junto às “ventoínhas eólicas” e descer até umas aldeias tipo Testeira, Cravelas ou Paredes 🙂
Pena é que a tenham descaracterizado tanto. Ainda me lembro, quando era pequeno e o meu Pai me levava de Borbela até lá ao alto, dos telhados de cobertura de colmo na maior parte das casas. Agora só mesmo um ou outro curral. Bem sei que as pessoas querem, com razão, melhores condições de vida, mas era mesmo preciso cobrir tudo a telha?