A anarquia é apenas “uma grande confusão”

 

G. K. Chesterton, Disparates do Mundo:

 

«Só há dois tipos de estruturas sociais possíveis: os governos pessoais e os governos impessoais. Se os meus amigos anarquistas se recusam a aceitar regras, terão de aceitar quem os reja. A preferência pelo governo de base pessoal, com o correspondente tacto e flexibilidade, chama-se monarquismo; a preferência pelo governo impessoal, com os seus dogmas e as suas definições, chama-se republicanismo. Recusar reis e credos em geral chama-se parvoíce; pelo menos eu não conheço outra palavra mais filosófica para designar tal posição. A pessoa pode deixar-se conduzir pela esperteza e a presença de espírito de um governante, ou pela igualdade e a justiça comprovada de uma lei; mas tem de ser conduzida por um ou por outra, porque a alternativa não é uma nação, mas uma grande confusão.»

4 Comments

  1. Carlos Novais

    Sim, mas. E o mas é que essa “confusão” aplica-se à ordem internacional. Alias, se há coisa que caracteriza a Idade Média é a ausência do estado moderno com profusão de soberanos territoriais misturado com varias fontes de direito, em vez do direito centralista e constitucional.

    E não há noticia do direito e as coisas serem mais confusas que  na Idade Moderna, pelo contrario, p direito muito mais estável e previsível, e uma ordem social conservadora.

    Assim, o que se fala aqui é duma “anarquia” utópica que reagia ao paradigma do estado nacional – criação da Reforma.

  2. Jorge Braga

    Em toda a Europa onde existe monarquia que fazem os monarcas pelo seu reino? Nada, a não ser marcar presença. O presidente é mau, mas o rei iria pelo mesmo caminho ou pior, pois ainda teríamos de gramar os seus descendentes tivessem ou não capacidades para isso.  

  3. XXI

    Se me permite, “a grande confusão” é confundir (propositadamente?) a ausência de regras com ausência de governo! A ausência de regras (ordem) chama-se Anomia.
    Anarquia não é um regime sem regras, é antes um regime sem a autoridade centralizada de um governo, mas com regras comummente aceites, de oura forma não podia ser, repare , anarquia é a forma mais evoluida de organização da sociedade que se conhece e como tal é impensável assumir que não existem regras, o que não existe é um sistema minoritário de coacção e imposição. 
    Outra e a mesma questão relacionada com o exercício da autoridade (governação) é a incontestável direcção no sentido de partilha da responsabilidade, desde a representação por um só individuo (Monarquia) à representação multipla indirecta (República) até à futura e “obrigatória” democracia directa, que será o resultado desde apodrecimento politico actual.

  4. Gonçalinho

    porque a alternativa não é uma nação, mas uma grande confusão.”


    E uma nação é nação porque tem governo? Ora essa…! Uma nação define-se por um grupo cultural (língua, costumes, etc) e não por um qualquer limite geográfico mantido pela existência de ditadores (sejam estes eleito, com mandato limitado, ou não).

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