Ana Moura e o israelita Idan Raichel.
Mês: Julho 2013 (Page 1 of 32)
Sublime herói, no espaço navegando
Entre as nuvens e as ondas revoltadas,
Outras mais altas Índias demandando,
Continentes de luz, plagas doiradas…
Anjo da Lusitânia esvoaçando
Nas etéreas distancias azuladas.
Um novo sonho eterno despertando
Em nossas pobres almas condenadas.
E a noite cai na terra portuguesa
Deslizam-,me no rosto triste e mudo
As lagrimas de dor que purificam
Silencio a trágica tristeza.
Sublime herói, sacrificaste tudo
A uma Pátria que todos sacrificam
Teixeira de Pascoaes, ” ‘A memória de Sacadura Cabral “
“Now, it seems to me that the act of settling, which is the origin of civilisation, involves both a radical transition in our relation to the earth — the transition known in other terms as that from hunter-gatherer to farmer — and also a new sense of belonging. The settled people do not belong only to each other: they belong to a place, and out of that sense of shared roots there grow the farm, the village and the city. Vegetation cults are the oldest and most deeply rooted in the unconscious, since they are the cults that drive out the totemism of the hunter-gatherer and celebrate the earth itself, as the willing accomplice in our bid to stay put.
The new farming economy, and the city that grows from it, generate in us a sense of the holiness of the planted crop, and in particular of the staple food — which is grass, usually in the form of corn or rice — and the vine that wraps the trees above it. The fruit of the vine can be fermented and so stored in a sterilised form. It provides a place and the things that grow there with a memory. At some level, I venture to suggest, the experience of wine is a recuperation of that original cult whereby the land was settled and the city built. And what we taste in the wine is not just the fruit and its ferment, but also the peculiar flavour of a landscape to which the gods have been invited and where they have found a home.
Grain, too, can be fermented, and in its way will provide a similar tribute to the place and our way of settling it. Aficionados of real ale and malt whisky are aware of this, and know that they are tasting the rains and the soils of the places that they visit in the glass and making contact across the centuries with the people who put down roots there.
Such experiences are especially valuable to us, now that the world is accelerating to inhuman speed. The need to sit quietly and be at peace with the dead is one of the greatest requirements of a civilised life. And to do this in company, conversing all evening with a glass in your hand is to be reconciled to life in a way that few people now — in the age of the screen and the scream — achieve.“
– Roger Scruton
Lamas de Olo, Vila Real de Trás- os- Montes
” Vê-se primeiro um mar de pedra. Vagas e vagas sideradas, tristes e hostis. Tudo parado e mudo. Apenas se move e se faz ouvir o coração no peito, inquieto, a anunciar o começo duma grande hora. De repente rasga o sile^ncio da penedia uma voz assim: < para cá do Mara~o, mandam os que cá estão !…>
Sente-se um calafrio. Esse penedo falou? Mas já uma voz terrosa ordena; < Entre!… >. A gente entra e já esta ‘ no Reino Maravilhoso.
Miguel Torga
Decerto que esta aldeia, de gente tão simpática, que nao se cruza pelo forasteiro sem que lhe deseje um bom dia, e’ um pedaço desse Reino. Um Reino onde o tempo corre devagar, como que a seguir o ritmo lento da vaca que sobe devagar o caminho íngreme por onde a jovem pastora a guia até ‘as verdes pastagens, que este Inverno foi chuvoso,. Nao longe e’ uma procissão que passa, a dar a volta ‘a aldeia, festejando, talvez, o dia do seu Santo Padroeiro, agradecendo, talvez, a fartura que se vê nos campos onde, entretanto, a vaca que subia a ladeira se juntou já ‘as muitas que se lhe tinham adiantado.
“Amanheci em cólera. Não, não, o mundo não me agrada. A maioria das pessoas estão mortas e não sabem, ou estão vivas com charlatanismo. E o amor, em vez de dar, exige. E quem gosta de nós quer que sejamos alguma coisa de que eles precisam. Mentir dá remorso. E não mentir é um dom que o mundo não merece…”
– Clarice Lispector.
E é só para dizer que me provoca bocejos e um enorme fastio, não só porque a comunicação social e o país político parecem não ter mais nada sobre que falar, mas também, e especialmente, porque Portugal foi e continua a ser corrompido e desgovernado de formas e feitios que, na sua larga maioria, são ainda desconhecidos pela generalidade dos portugueses e são os mesmos que agora se armam em virgens impolutas e ofendidas a respeito dos Swaps que são os principais responsáveis por estes e pelo descalabro repulsivo que é o estado a que chegámos. Enquanto uns pobres de espírito se entretêm a brincar aos pobrezinhos, outros vão-se entretendo a empobrecer-nos material e espiritualmente brincando aos politicozinhos. Estão todos bem uns para os outros neste regime de paz podre que, paradoxalmente, tanto dá razão à luta de classes de Marx como ao diagnóstico de Hayek quanto à perversão do ideal democrático operada pelos políticos e coligações de interesses organizados. Mas são todos anjos e santos e é tudo em nome do interesse nacional, claro está.
” Camilo Castelo Branco e’ um dos muitos casos em que o livro teve parte integrante na sua formação como escritor. Nao lhe surgiram espontâneas as primeiras poesias nem o seu estilo tenso e terso a parecer o aço vibrátil e resistente das durindanas, tão rico de sonoridades clássicas mas sem eufemismos, chamando as coisas pelo nome, foi obra do acaso ( … ) A Serra do Me’zio e as concavidades nevadas dos cerros sem maciezas adustas e rudes transmitiram-lhe ‘a prosa a dureza agreste dos granitos, mas a vernaculidade, essa foi legado dos clássicos tanto amados do seu Calisto Eloy, que lera e aprendera nos anos da sua formação “
Ora, para tal formação, que muito contou para que nele surgisse o escritor genial que viria a ser, bastantemente contribuiu a convivência com aquele Padre António de Azevedo, cunhado da irmã, Carolina, naquela casa de Vilarinho da Samarda~, para onde se mudou aquando do casamento desta, deixando a vizinha Vila Real, e a casa da tia, onde se acolhera por morte do pai, e que tão más recordações lhe deixavam.
No livro < O Bem e o Mal >, que dedica ao mestre, disso da’ conta, quando escreve: ” Sou aquele que leu em sua casa as Viagens de Ciro, o Teatro dos Deuses, Os Lusi’adas, as Peregrinações de Fernão Mendes Pinto, e outros livros que foram os primeiros ”
Foi ‘a casa que ostenta ao lado da porta uma placa com as palavras de Camilo ” … Onde passei os primeiros e unicos felizes anos da minha mocidade ” que me desloquei em romagem de admiração.
Rua Camilo Castelo Branco em Vilarinho da Samarda~, Vila Real
«O que acho é que essas pessoas, esses partidos, essas instituições, com nome, deveriam ser tornadas públicas: quem é que fez o quê e quem é que assinou o quê, não para meter na cadeia, mas para os impedir de voltar a fazer política, para os impedir de voltar a ter acesso às decisões.»
Serra do Alváo, concelho de Vila Real
” Quem percorre os cumes da montanha nao fica só deslumbrado com a amplidao dos horizontes sente-se verdadeiramente feliz – da felicidade pura de reconhecer a indefinida originalidade do Mundo – ao descobrir novas linhas das cumeadas encantadoras mutações dos relevos, desconhecidas harmonias das fragas recortadas no azul do céu “
Sant’Anna Dionisio
” -E em breve os nossos males esqueceram perante a incomparável beleza daquela serra bendita!
Com que brilho e inspiraçao copiosa a compusera o divino Artista q ue faz as serras, que tanto as cuidou e tao copiosamente.as dotou, n”este Portugal Seu bem amado! “
Eca de Queiroz, < A Cidade e as Serras >
Uns dias na cidade, e uma quase claustrofobia a empurrar-me para sítio amplo onde o ar puro foi por esse Artista prodigalizado. Lá onde a comunhao com a natureza faz da palavra felicidade muito mais do que uma palavra -um sentir.
Não são apenas os colossos financeiros que devem nutrir a nossa desconfiança. Não são apenas os bancos de Wall Street e as agências de rating que devem ser o alvo da nossa preocupação. Vivemos num mundo de fusões e aquisições, de intervenientes cada vez maiores que detêm o controlo sobre o nosso dinheiro, sobre as nossas ideias e sobre as nossas preferências. Sirvo-me do mais recente exemplo de gigantismo que está prestes a subjugar ainda mais o nosso mundo; a fusão das duas maiores agências de publicidade do mundo para se tornarem na maior de todas. Os mercados, e em particular os consumidores, estarão deste modo ainda mais à mercê de uma força irresistível, uma espécie de cartel do champô e da pasta dentífrica. É isso que está em causa num ambiente de défice democrático, onde a força de uma minoria esmaga as aspirações dos pequenos, as liberdades individuais. O mesmo sucede no meio editorial – também estamos sujeitos a uma lavagem, embora neste caso seja mental, cultural. Os principais grupos editoriais do mundo decidem o que os neurónios do resto do mundo devem consumir. Numa sala pejada de executivos, decisões importantes são tomadas para acalmar os ânimos, domar os leitores mais irreverentes – os potenciais destabilizadores de sistemas de poder. São estes grupos de comunicação que formatam o nosso modo de pensar, de reinvindicar. São estes monstros que decidem por nós o que é válido e o que deve ser obviado. Embora os editores se afirmem como intelectualmente independentes, em abono da verdade não passam de agentes de interesses dissimulados em literatura light, parágrafos inofensivos – para não causar muito dano. Nesta época de convulsões, em que apontamos baterias a políticos e banqueiros, seria bom que não perdêssemos a perspectiva, a vista dos actores que jogam no mesmo tabuleiro de controlo e opressão. A liberdade intelectual já não é o que era. O pensamento e a reflexão profundos estão ao serviço do bottomline, do saldo positivo. Estes monstros apenas têm uma coisa pregada na mira da balança; o lucro. A qualidade é um tema secundário, não tem importância, desde que se possam embalar as expectativas cada vez mais baixas de indivíduos levados na incoerência. Uma corrente onde não abunda massa crítica, espessa.









