“Os cínicos também terão uma palavra para outro momento bizarro da noite, a visita à Casa Branca para a Primeira Dama, Michelle Obama, anunciar o prémio de melhor filme. Há uma ligação política e histórica entre Argo e a Casa Branca, e o filme é produzido por alguns activos partidários de Barack Obama, como George Clooney. Mas isto quer dizer o quê? Um “patrocínio” presidencial da indústria americana de cinema – eis “o cinema da era Obama”?
Não é preciso ser-se um taradinho da Fox News para se achar que a ideia é bizarra. Subliminarmente, a mensagem não é muito diferente desta: “produtores, realizadores, se querem ser premiados comecem por fazer filmes que agradem ao casal Obama”. Era escusado, ou assim nos pareceu.”
– Luis Miguel Oliveira, no Público, hoje
Comentário: não é só bizarra, é também populista, insidiosa e em última análise perigosamente totalitária, mas em caso algum acidental ou inocente, esta apologia em forma de culto socializado às figuras do casal Obama; na medida certa, pretensamente apenas uns furos acima do que a nova cúria permite ao novo “joe average”, demograficamente ajustado, almejar vir a ser mas sem esbater as diferenças conforme manda o respeitinho sob qualquer bom desígnio controleiro a médio e longo prazo, surge o role model “voluntariamente” imiscuído, pela via asséptica da comunicação social, no meio do burburinho quotidiano.
Primeiro a aeróbica, que bom que é exercitarmo-nos, vejam como ela faz apesar do fardo de ajudar o Messias a reger-nos.
A seguir a entrega do galardão ao realizador premiado, objectivando de um só golpe a fusão óbvia, óbvia como a reeleição do Mentor-avatar-das-culpas, entre Estado, Cultura, Povo e Progresso.
Depois virá a componente dinástica, ou senão cá estaremos para o comprovar.
E o cartão de identificação global.