Eu também sofri um ataque à liberdade de expressão

Estava aqui a recordar um episódio que aconteceu em 2009, quando numa conferência de celebração do 25 de Abril, no ISCSP, que teve como ilustres oradores Adriano Moreira, Mário Soares e Odete Santos, resolvi, no período de debate, incendiar a sala, confrontando o painel com o facto de não se poder dizer que o Estado Novo tenha sido fascista, e afirmando ainda que a narrativa anti-fascista tem servido para muitos legitimarem os seus intentos mesmo que estes sejam de uma perigosidade atroz para a democracia. Os estudantes ficaram em polvorosa, a Vice-Presidente do ISCSP gritava “cale-se, ninguém quer saber as suas opiniões”, Odete Santos espumava e gesticulava descontroladamente, Adriano Moreira sorria e anuía com a cabeça e Mário Soares tirou-me a palavra – para dizer, sublinhe-se, que do ponto de vista da Ciência Política, de facto não se pode dizer que tenha existido fascismo em Portugal. Pelos padrões que regem umas quantas cabecinhas por estes dias, sou agora levado a acreditar que fui vítima de um ataque à liberdade de expressão. Devia ter-me queixado na altura, porventura à Associação Portuguesa de Apoio à Vítima. Talvez Miguel Relvas o possa fazer.

6 Comments

  1. Candido

    Que comparação sem sentido. Não lhe foi permitido fazer a pergunta e não obteve inclusive uma resposta de Mário Soares?
    A Miguel Relvas foi-lhe sequer permitido iniciar o discurso?
    Esta idiotice de ter receio de tomar uma posição que possa ser favorável a Relvas é de uma tremenda desonestidade.

    • Samuel de Paiva Pires

      Na sua ansiedade por defender o governo, escapa-lhe o que escrevi. Qual é a parte de “Mário Soares tirou-me a palavra” que não percebeu? Eu ainda estava a falar, levantou-se um coro de protestos e Mário Soares começou a falar quando eu ainda não tinha terminado. 

      Quanto ao resto, Miguel Relvas nem sequer deveria ter aceite o convite, e além do mais decidiu fazer o número da vitimização. Parece ter resultado com meia dúzia de mentes, vá-se lá saber porquê, uns dependentes do governo, outros dependentes da mesma gamela e à espera de voltarem a aceder-lhe. Não passa pela cabeça de ninguém que a liberdade de expressão de Miguel Relvas seja posta em causa.  Se lhe aprouver, recomendo-lhe que leia os posts que aqui escrevemos nos últimos dias, bem como os artigos de Daniel Oliveira e Viriato Soromenho-Marques.

      • Anónimo

        O seu enviesamento e a sua desonestidade é tal que me acusa de defender o governo quando não o fiz. Mas tenho mais alguns “defensores do governo”, seguindo o seu critério:

        Francisco Assis: “Miguel Relvas foi vítima de actos inaceitáveis”

        Paulo Pedroso: “Comecei por sorrir ao ver o vídeo do ISCTE, também eu no íntimo contente por Relvas conhecer o descontentamento ao vivo. Logo depois perguntei-me se o caminho para mudar o estado de coisas passa por impedir os Ministros – ou as oposições, tanto faz – de falarem nas Universidades, lugar por excelência da liberdade. Quem vai decidir quem pode falar? Quem tiver mais cartazes, insultar e gritar mais?
        Portugal está a desaprender a liberdade”

  2. murphy

    Cumprimentá-lo pela coragem da sua intervenção em plena  arena do ISCTE…

    Actualmente, penso, os maiores riscos para a liberdade de expressão decorrem desta comunicação social vergonhosa, impregnada pelo jornalismo esquerdista:

    http://jornalismoassim.blogspot.pt/2013/02/o-wishful-thinking-das-redaccoes-vs-o.html (http://jornalismoassim.blogspot.pt/2013/02/o-wishful-thinking-das-redaccoes-vs-o.html)

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