“[…] Convém recordar que este governo tem demonstrado um desprezo olímpico por  direitos que a população considerava adquiridos, soando agora a falso a preocupação angélica de proteger o direito dos ministros falarem.



Entretanto, gostaria de sublinhar que, na minha opinião, a retórica sectária do Miguel Noronha, ou os argumento florentinos do Henrique Monteiro, apenas atiram achas para a fogueira.



E o problema pode tornar-se muito mais complicado no dia em que a tal populaça se deixar de cantorias e começar a “bombar” na cabeça dos políticos que nos governam. Quando se cria um ambiente de revolta social não adianta falar de direitos, nem do direito a falar nem de direitos mais substanciais, como o próprio direito à vida. Já imaginaram a Maria Antonieta, com a cabeça na guilhotina, a gritar: ‹‹respeitem os meus direitos, respeitem o meu direito à vida››. Ia surtir um efeito que nem vos digo.”


– Joaquim Couto no “Portugal Contemporâneo”, hoje