1. Portugal afunda-se hoje numa profunda crise económica e social, a que não é alheia a teia legislativa dos últimos seis anos de governação, destruidora dos pilares estruturantes da Sociedade.
2. A reforma da Sociedade não deve ser realizada apenas na área económica e fiscal. Carece de uma intervenção mais profunda, designadamente no que diz respeito à Dignidade da Pessoa, em todas as etapas da sua vida, desde a concepção até à morte natural, à cultura da Responsabilidade, do compromisso no Casamento e na Família; por outras palavras, é necessária uma verdadeira cultura da Liberdade.
3. As leis que têm vindo a corroer o tecido social do País foram sempre objecto da voz crítica do Presidente da República que, quer através do veto, quer através de mensagens ao Parlamento ou ainda por declarações ao País, indicou alguns dos erros em que incorriam. Urge pois atender de novo às suas razões.
O casamento homossexual foi aprovado no Parlamento a 8 de Janeiro de 2010. Três anos antes, foi legalizado o aborto.
Segundo os signatários desta petição, há uma relação – ao que parece – muito forte entre ”a crise económica” com a ”dignidade da pessoa”, o ”compromisso no casamento e na família”, concluindo com a necessidade de uma ”cultura de liberdade”.
Ora, estes dois aspectos não vieram em lado algum prejudicar o clima económico ou social de Portugal. Aliás, só de má-fé intelectual se pode argumentar a relação entre crise económica, liberdade, valores familiares e dignidade.
Esta petição, no mínimo, fará com que se volte a abrir a discussão sobre estes dois temas. Não há nada de novo. A sociedade não ficou destruída com o aborto legal ou porque indivíduos homossexuais se podem casar civilmente. Um não-assunto que apenas mostra que alguns sectores da sociedade lidam mal com a liberdade alheia.
Como dizia Stuart Mill, ”os conservadores não são necessariamente estúpidos, mas a maioria das pessoas estúpidas são conservadoras”.
Obrigado por dar a conhecer esta importante Petição.
A água deve bater na rocha dura até que a consiga furar!
Agora de uma forma pessoal venho-lhe dizer que acabei de ler o seu texto de homenagem aos seus Irmãos.
Senti que a sua Mãe se emocionou como eu.
Um grande abraço fraterno que lhe possa dar a força necessária para seguir o seu caminho.
Bem haja!
Caro João Almeida,
Sobre a petição, como observou, discordamos, mas enfim.
Sobre o texto aos meus irmãos, agradeço-lhe as palavras.
Um abraço.
José Maria Barcia:
A maioria das pessoas “estúpidas” não é conservadora porque aprovou a legalização do abortamento.
Os conservadores são necessriamente “estúpidos” se não entendem que o abortamento, nos termos em que foi aprovado, é a legalização da mais abominável forma de homicídio concebível.
Ao promover o referendo, e financiar o abortamento nos termos da mera “opção” da mulher, o Estado português demitiu-se da defesa do direito mais básico – e do dever de defender os humanos mais fracos e indefesos diante o puro arbítrio dos mais fortes. Destruiu o que restava de Estado de Direito em Portugal.
Se isto importa ou não importa a “morte” da sociedade, não sei. O que sei é que implica necessariamente a progressiva desumanização dela. E a eutanásia já está na calha.